Director: Lázaro Manhiça

DE VEZ EM QUANDO: Mulopwana! (Alfredo Macaringue)

 

TENHO um amigo que vende xikowa (peixe seco “tilápia”) na zona do Capuchinho, Malhangalene, em Maputo. Não conheço o seu nome oficial, mas eu chamo-o por Mulopwana, devido às suas origens, (é de Nampula). Nunca questionei o facto de, sendo ele de Nampula, estar ali a vender peixe  de Tete, porque seria, como é óbvio, uma estupidez da minha parte. Conhecemo-nos há aproximadamente cinco anos, e sempre que tenho  vontade de degustar de um peixe seco com caril de amendoim, vou ao Capuchinho ter com Mulopwana.

Ainda no último fim-de-semana a minha companheira pediu-me que fosse comprar o saboroso xikowa, só que,desta vez, no lugar do caril de amendoim, a “madame” optou por um refogado com molho apetitoso, o que não tira,de forma alguma,o ritmo da iguaria. Aliás, para a minha surpresa, havia uma garrafa de vinho velho escondida num canto onde eu,raras vezes,vasculho. Foi ela que, já com a refeição pronta e a mesa posta, mandou-me ir ao esconderijo buscar a “luxuosa” bebida.

Perguntou-me se eu sabia há quanto tempo a dita cuja estava ali e eu não podia saber. Respondi que não. Ela riu-se ao mesmo tempo que dizia que estava alidesde a festa do meu aniversário, e que a “escondeu” àespera de uma melhor oportunidade, já que havia muita bebida nesse dia, e essa oportunidade era esta, com um xikowa apetitoso e bem cheirosinho, ainda por cima com um achar de manga que estava quase no fim.

A minha companheira não bebe, portanto, toda a garrafa era para mim. Sozinho. O que significa um bom sinal na era da pandemia.  E também numa altura em que na verdade eu precisava de apanhar alguma paulada.  Para aumentar a minha satisfação, havia um balde de gelo preparado para refrescar o vinho. Então o xikowa, sem dúvida, vai ganhar outro sabor. Também a minha línguavai ficar mais solta, e se calhar é isso que a “madame” quer.

O Mulopwana é cúmplice da minha alegria e ele nem sabe disso. Nem imagina que tenho uma garrafa de vinho àminha frente para acompanhar o xikowaque ele me vendeu. Mas agora é que estou a ligar os fios da teia. Ou seja, quando cheguei para comprar o peixe, Mulopwana estava a arrumar o produto e disse-me que ia a uma festa, que a sorte estava do meu lado. A princípio não percebi nada, mas acabou dando-me, como “bacela”, uma quantia superior ao valor pago. Mas não dei muita importância ao gesto, que afinal era o princípio de uma tarde de “gala” que haveria de ter.

O vinho estava bom demais. Melhor ainda porque a minha companheira não me abandonou na mesa enquanto não acabava a garrafa. Fui-lhe contando histórias que eu próprio não conhecia. E acabei comendo mais do que nos outros dias. No fim, já com a garrafa “deitada”, perguntei se não havia outra escondida. Ela sorriu …

 

A luta continua!

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