Director: Lázaro Manhiça

Sigarowane: Alexandre,celebremos Mathxinguiribwa (Djenguenyenye Ndlovu)

 

SEMPREque a contagem é decrescente,o nervosismo toma conta de ti. Pior. Quando nem sequer tens quem te faça companhia nessa varanda onde o perfume do mangal te penetra as narinas com tanta intensidade fazendo com que a cada inspiração tenhas de abrir a boca que os pulmões há coisas de que não gostam e trata de delas se libertar. Queres falar,mas falar com quem se até o crédito no telefone acabou e, tal como eu, não sabes comprar daquela maneira inteligente. Tens que ir ao agente comprar a recarga depois ficares aí a digitar aqueles números todos, a falhares e voltares a digitar aqueles números todos e…prontos. Acertas e do outro lado outro telefone chora mas ninguém o atende,mandas uns pôrras que são só para os teus ouvidos. Abanas a cabeça e olhas para o céu,hoje cinzento, em busca de ajuda,mas ela agora vai para outros na fila há mais tempo. São tantos a que tem de atender.

Mas não desesperes que te vai chegar a vez.

Afivelas as sandálias que lembram os monges e caminhas pela berma da estrada de alcatrão a precisar de alguma atenção até a ponte-cais. Apenas para veres o movimento das embarcações a chegar de outra cidade, para veres o movimento das embarcações a partirem para outra cidade.

Mulheres e homens chegando e partindo sem que ninguém preste atenção à tua presença,mas também não prestas nenhuma a ninguém. Alimentas-te apenas com o movimento das pessoas, com a chegada e partida das embarcações e o ronco dos seus motores. Farto,caminhas pelo passeio até o Capitão e não ficas por muito tempo. O suficiente para uma caneca de cerveja e um cigarro que o continuas chupando,para o mal dos pulmões, já de regressoà varanda perfumada com o cheiro domangal.

Tens fome e lembras-te de teres visto duas panelinhas sobre a mesa,mesmo a frente da cadeira que só tua pões as nádegas. O arroz e caril de santolas derrubam a fome e um púcaro cheio de surra completa a alegria e então já dá para fumar um cigarro deitado de costas em uma rede por ticonstruída e montada nessa varanda perfumada pelo cheiro domangal. Levas cá um gozo desta vida, que já é por clemência para os que cuidam de projecções. Fuma, fuma irmão que não tarda que o sono se abata sobre ti,mas será por pouco tempo e estarás de regresso e com melhor disposição.

O púcaro ainda tem conteúdo e a vontade de dele te servires não é pequena e como nada nem ninguém te impede,despejas o conteúdo goelas abaixo. Um violento arroto e depois lambes os beiços enquanto puxas pelo maço de cigarros. Tiras um e o levas aos lábios,mas não tens fósforos. O carvão no fogão de três pés ainda esta incandescente. E da boca,um cinzento é expelido pela casa. Olhas para o calendário pendurado num prego fixo na parede e verificas que a data de partida está próxima e tens que começar a fazer a mala, na verdade uma mochila com uma a duas mudas porque tu não foste feito para nhenhenhés. Pôrra,mesmo quando isso parecia indispensável a outros do teu tempo,cada vez muito poucos,sobretudo com energia igual àtua. Sim, tu tens muito energia embora não o soubesses.

Caminhas,centenas e centenas de quilómetros, para brindares uma plateia imensa com um espectáculo de ver e ir vendo,revendo sempre que se deseje,mas tú só o darás num único dia,por umas horas, neste doce mês de Outubro. Ah! Não precisaste de caminhar. Precisaste de cantar um daqueles teus números no terminal dos transportes públicos para logo um dos motoristas pedir a tua companhia e tinhas a cadeira do morto á tua disposição. Ainda umas cervejas,carne de frango, tudo isso por conta do dono do machimbombo.

És mesmo um gajo do carraças,tu.

Bom, já tinha visto o espectáculo (o que só por isso que não vise este) como bem sabes, e acordámos que neste estaria presente para te segurar naqueles teus(nossos) momentos de doce loucura. Mas,como vês a mochila está pronta com apenas duas mudas. Vou participar de uma celebração eucarística la,lá muito longe justamente no dia do teu espectáculo.

Nesse dia, vou cuidar de ligar televisão para sofrer melhor,mas antes vamos celebrar. Vamos visitar as tascas que nos aguentaram uma vida, já sem aquela energia, as noites que nunca eram frias nem quentes. Eram noites. E vamos fazer isso vestidos de gangas e sandálias desse tipo,que lembram as dos monges.

Vamos irmão, que por estes dias as noites são muito curtas,as tascas fecham cedo.

E temos de celebrar MATHXINGUIRIBWA.

CONVERSAS AOS SÁBADOS

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

Presidente: Júlio Manjate

Administrator: Rogério Sitoe

Administrator: Cezerilo Matuce

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