Director: Lázaro Manhiça

CENÁRIO: Moçambique e África do Sul e a interdependência complexa (PAULO DA CONCEIÇÃO)

 

Em síntese, a escola da interdependência complexa defende que os Estados estão atrelados a uma ampla rede de contactos, interesses, articulações e fluxos transnacionais, mostrando a emergência de novos actores não estatais internacionais (THALES CASTRO)

 

NAactual conjuntura política internacional e em particular da África Austral, Moçambique desfruta de excelentes relações de boa vizinhança com a África do Sul, país considerado como sendo uma potência regional, não somente na nossa sub-região, como também ao nível de todo o continente.

Sendo Moçambique, um dos países mais pobres do mundo, extremamente dependente da ajuda externa e na perspectiva de receber importantes investimentos que o tornarão, a médio prazo, num dos maiores produtores mundiais de Gás Natural Liquefeito, que tipo de relações económicas  se perspectivam com a África do Sul?

Na realidade, no actual contexto, os dois Estados, ao se integrarem num bloco regional económico regional, a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), parecem privilegiar um relacionamento guiado pela renúncia gradual da sua soberania, num cenário em que os actores estatais e não estatais (sobretudo os agentes do mercado) são preponderantes.

Assim sendo, poder-se-ia perspectivar uma relação, entre os dois Estados, caracterizada  por uma concorrência procurando, cada um, capitalizar as  suas vantagens competitivas, num contexto em os múltiplos actores  buscam retornos financeiros crescentes.

Todavia, este cenário ainda não é uma realidade. Com efeito, Moçambique possui uma dependência elevada face à África do Sul, tanto no que respeita aos factores produtivos, bem como nas transacções comerciais.

Os dados disponíveis apontam, também, para uma dependência ao nível do factor trabalho, derivado tanto da forte migração moçambicana para a África do Sul, bem como da menor qualificação da mão-de-obra moçambicana face à sul-africana, fazendo com que o nosso país  tenha de “importar” trabalhadores mais qualificados da África do Sul, nomeadamente para os grandes projectos de investimento (José Pereira: S/D)

Ao nível do factor capital, por exemplo, a dependência de Moçambique ainda é maior, tendo em conta não só o volume de investimentos efectuados por empresas públicas e privadas sul-africanas, mas também pelo facto desse investimento ter pouco impacto nos outros sectores da economia,  sobretudo no que respeita ao conteúdo local.

Assim, torna-se imperioso que as autoridades moçambicanas adoptem políticas que melhorem ainda mais o ambiente de negócios no país pois, dessa forma,iria se atrair mais investimento directo nacional e estrangeiro, criando empresas competitivas no mercado internacional, no geral e da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC).

Outrossim, o nosso país deve juntar sinergias com a África do Sul, procurando desenvolver os sectores onde ambos possuam vantagens competitivas que lhes permitam uma inserção vantajosa nos mercados internacionais.

Ademais, os múltiplos desafios colocados pelo processo de globalização sugerem a necessidade dos países potenciarem os seus atributos e, nesse contexto, dada a proximidade e a convergência de interesses, a África do Sul pode ser um parceiro de vital importância para Moçambique no processo de integração na economia mundial.

 

CONVERSAS AOS SÁBADOS

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