Director: Lázaro Manhiça

De vez em quando: Vestindo gabardina no Verão ! (Alfredo Macaringue)

 

ERAM   duas  senhoras com estilo característico de vendedoras ambulantes. Ambas vestiam gabardinas que,em condições normais,estariam a ser usadas em tempo de Inverno. Nas mãos traziam outras peças de vestuário e caminhavam pelas ruas da cidade,sem se importarem com o que se passa à sua volta. Conversavam animadamente e não interpelavam a ninguém, contrariamente aos outros das mesmas lides, que estariam a repetir a mesma canção apelativa: “a macasaco halenu”! (casacos à venda).

Estas duas senhoras não se dirigem a ninguém, nem param de deambular carregadas, num negócio trabalhoso, que exige muita capacidade física para palmilhar a cidade inteira. Elas fazem isso com uma leveza notável, parecendo que estão pouco preocupadas com os potenciais compradores. Mas o que eu não percebo são as gabardinas que usam neste tempo muito quente.

Decidiacompanhá-las por alguns instantes para ver o que aquela história ia dar. Desci com elas pela “Guerra Popular”. Atravessámos a “24 de Julho”, numa caminhada determinada. Parecia que estavam atrasadas. Aliás, cheguei mesmo a pensar que tinham um destino marcado, por isso continuei na escolta disfarçada para ver até  onde iam.

Na “25 de Setembro” pararam e entregaram-se a uma concertação, e logo a seguir voltaram a subir pela mesma mesma “Guerra Popular”. Foi aí que, eu já cansado de fazer aquilo que já estava sendo “trabalho de Marracuene”, decidiabordá-las. Perguntei-lhes o que significava estarem vestidas de gabardina, as duas, nesta altura do campeonato em que todos andam suados às estopinhas. Elas riram-se, parecendo que faziam chacota de um maluco.Mas logo a seguir responderam-me, dizendo que as gabardinas no corpo, reduzem o peso, para além de que dão mais nas vistas como se estivesse num cabide.

De facto aquela indumentária brilhava no corpo das mamanas. E eu lembrei-me que esta é a melhor altura de comprar roupa de Inverno. Perguntei quanto custa, e o preço que me disseram é deveras incrível. Uma gabardina daquelas, colocada num mercado justo, custaria os olhos da cara, mas estas senhoras vendem-na a preço de banana. Qualquer pessoa de bom gosto não podia resistir perante generosa oferta. Duzentos meticais é demasiadamente pouco para tanta qualidade. E o que fiz foi mandá-las tirar os dois casacos e paguei quinhentos meticais por cada um, fechando assim o negócio.

Entretanto, depois de acondicionar a encomenda num saco plástico comprado alimesmo, uma das senhoras ainda perguntou-me: “kassi wena uta hi kwini”? (afinal você vem de onde?) Era uma pergunta,até certo ponto,justificada, porque nenhuma delas esperava aquele valor, ainda por cima num período em que toda a gente diz que não há dinheiro. Mas eu achei que devia dar um pouco mais, para alegrar o coração de duas mulheres que ganham duramente o pão. Caminhando pela cidade de lés-a-lés. A pé.

Força, mulher!

 

A luta continua!

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