Director: Lazaro Manhiça

SEGUNDO contou, o objectivo de fazer o activismo nas redes sociais é despertar atenção aos jovens e adolescentes para não desleixarem a sua saúde sexual e reprodutiva, devido à Covid-19 “Aqueles que já vinham fazendo o planeamento familiar que continuem. É importante que não permitamos que a Covid-19 traga problemas a mais nas nossas vidas”, disse. Leia mais

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VINTE e cinco raparigas e adolescentes que viviam em uniões prematuras estão a fazer sucesso como costureiras no distrito de Morrumbala, província da Zambézia. Estas meninas assumiram os novos desafios após formação promovida pela Visão Mundial, cujo intuito é tirar do lar meninas forçadas a viver maritalmente e reintegrá-las na escola ou capacitá-las para actividadesdeauto-sustento. JOCAS ACHAR  LEIA MAIS

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MOÇAMBIQUE projecta construir três centros de referência para o tratamento cirúrgico de fístulas obstétricas, na perspectiva de reduzir cada vez mais o número de mulheres que necessitam deste tipo de intervenção para restaurar a sua dignidade.

A informação foi partilhada por Armando Jorge Melo, médico gineco-obstetra e coordenador do Programa Nacional de Fístulas Obstétricas no Ministério da Saúde, falando em entrevista ao “Notícias”, no âmbito das celebrações do Dia Internacional pelo fim das Fistulas Obstétricas, assinalado a 23 de Maio último. Segundo Melo, calcula-se que, anualmente, ocorram no país 2.500 novas fístulas obstétricas e que de 2010 a 2019 foram submetidas a cirurgia de reparação da fístula obstétrica um total de 4892. Referiu que o principal desafio é de se formar mais profissionais de saúde para as cirurgias, por isso, os centros, a ser instalados nas três regiões do país (norte, centro e sul) servirão também como centros de formação para garantir que, no futuro, todos os hospitais do país tenham a capacidade de realizar cirurgias. A ideia é que cada uma destas unidades sanitárias conte, pelo menos com dois profissionais capacitados para as operações de fístulas obstétricas. A fístula obstétrica é uma das complicações do parto que deixa a mulher numa condição de incontinência urinária, o que, na maioria dos casos, expõe-na ao estigma e discriminação social. A maioria delas ocorre em partos complicados e arrastados, por isso Armando Melo convida a mulher a realizar o parto nas instituições de saúde. Apesar desta condição, Melo tranquiliza que a fístula obstétrica não impede que a mulher possa fazer filhos e ter uma vida normal. Acompanhe a entrevista.

NOTÍCIAS (NOT) – Que balanço faz das acções em curso para o combate às fístulas obstétricas no país?

Armando Melo (AM) – O  número de hospitais que têm capacidade cirúrgica para operar fístulas obstétricas tem vindo a aumentar ao longo dos anos. Alguns hospitais operam em rotina e outros através de campanhas. É nas campanhas em que operamos o maior número de mulheres, cerca de 50, numa semana. Trabalhamos também na componente de prevenção e reintegração social para evitar que surjam novos casos e garantir que após serem operadas, as mulheres sejam aceites nas suas comunidades e famílias.

Taxa de sucesso é de 95 por cento

NOT– O que pode partilhar em termos de resultados destas intervenções?

 AM - Tivemos bons resultados e paulatinamente, estamos a reduzir os casos de fístulas. De 2010-2019 operamos cerca de 4.892 mulheres com um a taxa de sucesso de 95 por cento, isto é, das 100 mulheres submetidas à cirurgia, 95 viram as suas fístulas totalmente fechadas. Anualmente, operamos 650 a 700 mulheres com fístula, cujas idades variam de 14 e 60 anos, mas com maior incidência na faixa etária dos 16 a 24 anos. O tratamento aliado a acções de prevenção ajuda-nos a ter mulheres a fazer o parto com qualidade, feito na unidade sanitária, onde temos pessoas capacitadas para tal.

NOT– As estatísticas mostram que ainda há um número considerado (cerca de um terço) de mulheres que não são abrangidas pelas cirurgias…?

AM- O grande desafio é fazer com que todas as unidades sanitárias com capacidade cirúrgica possam operar as fístulas obstétricas de uma maneira electiva. Isto significa, por um lado, que dentro do programa de cirurgias deste hospital deve-se operar as fístulas. Por outro lado, o desafio é de se criar condições para que os cirurgiões gerais, os ginecologistas, os licenciados em ginecologia e as licenciadas em Saúde Materno e Infantil (SMI) possam operar as fístulas obstétricas. Já estamos a formar há bastante tempo, mas ainda não atingimos as metas, temos até aqui, 29 profissionais capacitados para cirurgias de fístulas obstétricas. Por exemplo, nas províncias de Cabo Delgado, Nampula, Tete, Manica, Sofala, Inhambane temos colegas que operam fístulas nos hospitais rurais e distritais. Temos uma capacidade boa para operar, mas ainda não é suficiente.

Três centros de referência no tratamento de fístulas

NOT- Como pensam em aumentar o número de profissionais para estas operações?

AM– O desafio é instalarmos três centros de tratamento de fístulas obstétricas, sendo um na região norte, concretamente no Hospital Geral de Marere, em Nampula; outro no centro, no Hospital Geral de Quelimane. Na região sul, queremos dar primazia ao Hospital Geral de Mavalane, em Maputo, com um certo suporte no Hospital Central de Maputo. São centros de tratamento cirúrgico de fístulas obstétricas. Em relação ao de Quelimane, as obras estão avançadas e esperamos que dentro em breve estejam concluídas.

NOT– São infra-estruturas de raiz?

AM– Não. Estamos adaptar as unidades sanitárias que já têm algum espaço e condições como a componente de radiologia e o bloco operatório. Assim, as mulheres que forem diagnosticadas fístulas nas unidades sanitárias periféricas serão transferidas para estes centros. Para além disso, os centros servirão de espaço para a formação de novos cirurgiões em matérias de fístulas. Estas duas componentes são importantes para atingirmos o maior número de mulheres e reduzir a prevalência de fístulas obstétricas. Já deveríamos ter o centro de Quelimane pronto, mas devido a conjectura actual (Covid-19), não conseguimos. Contudo esperamos que entre em funcionamento este ano. Nós gostaríamos que todos os hospitais gerais, rurais ou provinciais destas três regiões, tivessem pelo menos dois indivíduos formados e com capacidade de operar fístulas obstétricas.

Parto na maternidade reduz risco de fístulas

NOT- Qual é o vosso principal foco na prevenção?

AM - O grande foco é trabalhar com as comunidades, sensibilizando-as para que todas as mulheres grávidas possam fazer o parto nas maternidades. O objectivo é de que haja a abolição completa dos casamentos prematuros porque estudos preliminares feitos revelam que o maior número de mulheres que têm fístula obstétrica varia de 14 e 24 anos. Estamos a trabalhar com os Ministérios do Género, Criança e Acção Social, do Interior e da Educação e Desenvolvimento Humano para que haja essa sensibilização em massa a fim de acabarmos com os casamentos prematuros e as gravidezes precoces na sociedade. O mesmo acontece na reintegração social, na qual trabalhamos também com associações comunitárias. 

NOT – Há algum perigo as mulheres com fístula engravidarem? Tivemos o conhecimento de uma que fez dois filhos nesta condição. Que orientação pode dar?

AM - Quando se fecha a fístula, dá-se uma medida de contenção para que durante algum tempo essa mulher não possa engravidar. Depois disso, ela pode fazer quantos filhos quiser. É natural que o primeiro parto feito após a cirurgia seja uma cesariana. Mas depois pode ter partos normais, se as condições assim o permitirem. Temos também casos de mulheres que engravidam, muitas delas, com fístula pequena. Para estas, aconselha-se, muitas vezes, uma cesariana, mas isso não impede que ela possa fazer o parto normal. Recomenda-se a cesariana para não complicar ainda mais fístula. A fístula não impede que a mulher engravide e tenha uma vida normal. O problema é o estigma e discriminação que muitas sofrem. Mas a fístula é prevenível e curável, dentro de determinados parâmetros. Nem todas as fístulas são curáveis e para aliviar faz-se determinado desvio para que a urina não saia do canal vaginal. 

(Evelina Muchanga)

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JÁ lá vão os tempos em que a mulher era subjugada e estereotipada, sobretudo em relação a determinadas actividades sociais. Predominantemente, a ela era atribuído o trabalho doméstico e com a missão específica de cuidar do marido e dos filhos.

Essa realidade está a mudar aos poucos, havendo pela frente muitos desafios por superar. Porém, a prova evidente de que tais estereótipos vão pertencendo ao passado reside no facto de um número cada vez mais crescente estar a assumir cargos outrora reservados ao homem. E como se tal facto não bastasse, a mulher vai ganhando espaço até para ocupar cargos de chefia e de confiança nos mais diversificados sectores de actividade, incluindo nos órgãos de tomada de decisão.

A ideia de que o homem tem mais força ou habilidades para certos trabalhos em relação à mulher está a ser descartada pelo tempo, pois era usada como argumento para impedir que a figura feminina assumisse algumas actividades, sendo que a realidade hoje demonstra o contrário.

Hoje em dia há cada vez mais mulheres actuando em diversas áreasantes reservadas aos homens,taiscomo engenharia, construçãocivil, mecânica-auto e industrial, entre outras. Aliás, nos dias que correm vemos até mulheres a desempenharem com brio e profissionalismo elevados cargos governamentais. 

Para nós, não constitui surpresa, por exemplo, ver a mulher inserida na área de cobrançanos transportes semicolectivos de passageiros, quer públicos ou privados, o que nos orgulha.

A cobrança, por muitos anos, foi actividadeexclusiva do homem. Contudo, com o passardo tempo váriassão asmulheres que aceitam o desafio, vencem preconceitos e exercem a actividade lado a lado com o homem.

O que elas contam

As cobradoras servem de auxiliar e guia dos passageiros no sistema dos transportes. Elas cobram as tarifas por viagem, convidamos passageiros a embarcarem nos seus autocarros, organizam-nos e sãoresponsáveispela produção da receita diária, assegurando a rentabilidade da viatura.

Marcela Yone, de 32 anos de idade,é exemplo do que aqui descrevemos. Cobradorahácinco anos, abraçou aactividade depois demuita procura peloemprego, porém, sem sucesso. E a primeira oportunidade de emprego foi o “tudo ou nada” para o sector dos transportes.

Começou a exercer a actividade na Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO), durante um ano.

Yone disse que passado este período decidiu voltar à escola, tendo interrompido a actividade para cursar administração pública.

Acrescentou que após concluir o curso bateu várias portas, concorreu para algumas vagas em muitas empresas, porém, sem sucesso. 

“Depois de muita procura decidi voltar para os transportes, tendo abraçado a área da cobrança. Como já possuía alguma experiência, acumulada durante o período em que trabalhei na FEMATRO, consegui, com relativa facilidade, empregar-me numa outra operadora de transportes”, disse. 

Actualmente a cobradora trabalha na Cooperativa de Transporte Zimpeto-Magoanine (COTRAZIMA), há quatro anos. Levanta-se por volta das 04 horas para se preparar e chegar ao terminal rodoviário de Magoanaine atempadamente.

Segundo contou, a primeira viagem inicia por volta das 05 horas, na rota Magoanine-Baixa. A meta são seis voltas em média por dia, para poder completar a receita que lhe é exigida pela entidade patronal.

“Não é fácil. Por vezes chego à casa por volta das 22 horas, facto que criava algumas desinteligências entre eu e o meu esposo”, indicou.

Assédio e desprezo notransportes

Muitas mulheres em funções neste sector têm sido assediadas no de curso das suas actividades. Tal assédio consiste em palavras obscenas e, não raras vezes, acompanhadas de outro tipo de várias provocações.

Yone disse que, para além do assédio, nalgumas vezes é menosprezada por ser mulher. Contou-nos que certa vezum passageiro chegou a sugerir-lheoabandonoda actividadee consequente regresso à casapara cuidar dos trabalhos domésticos e do esposo.

“Alguns, erradamente, pensam que estamos nesta área porque não estudámos. Outros, sobretudo homens, fazem-nos propostas de melhor emprego e outros ainda propõem-nos para servirmos de suas esposas, alegadamente porque estamos em emprego errado para mulheres”, lamentou.

A interlocutora relatou que com o pouco que acumulou em razão do seu magro salário conseguiu adquirir um espaço onde construiu a sua própria residência, tendo a apetrechado como mínimo de bens necessários para uma vida melhorada. Aliás, orgulha-se que na sua casa nunca faltou o pão diário para o sustento da família. 

Tal como Marcela Yone, Assa Cossa é cobradora há 10 anos, tem de 35 anos de idade e entrou para esta actividade por falta de emprego no mercado. Recebeu a proposta de trabalhar na cobrança e, com um filho por cuidar, decidiu aceitar o desafio. E hoje é o sustento da família.

No início teve ajuda de um cobrador experiente, mas pouco tempo depois partiu para a aventura de trabalhar sozinha. A primeira viagem começa por volta das 06 horas da manhã e a última termina entre as 22 e 23 horas.

Cossa contou que no princípio foi complicadaa conivência com o esposo devido ao horário tanto da entrada como de saída do trabalho.

“O meu esposo era muito ciumento, mas acabou por se conformar com a realidade. Hoje em dia compreende a natureza do meu trabalho, aliás, respeita-o”, disse.

Por semana a cobradora trabalha dois dias e folga igual número.

Relatou-nos que alguns motoristas têm preferência em trabalhar com homens, alegadamente, por estes serem mais activos. Todavia, desmentiu tal facto, afirmando que há mulheres activas, dinâmicas e, sobretudo, flexíveis, com pujança e força de conquistar passageiros,uma vez que a actividade é marcada por forte concorrência e competição desregrada entre os transportadores. A meta é o cumprimento da receita diária.

“Hoje sou chamada “Maria-rapaz” pelos meus colegas, por causa dessa minha flexibilidade no trabalho”, sublinhou.

Nas horas de ponta os autocarros circulam, geralmente, superlotados. E, à medida que o autocarro circula de um terminal para o outro, pelo meio registam-se desembarques e novos embarques, o que requer da cobradora astúcia para organizar os passageiros de modo a que viajem o mais comodamente possível.

Nas horas de pouco fluxo, para poderem garantir a rentabilidade da viatura, começa o “barulho” do chamamento dos passageiros, o que, segundo a interlocutora, não é tarefa fácil.

Não é muito que ganha no final do mês, porém, Assa Cossa orgulha-se pelo facto decom o salárioter adquirido um espaço para construção da sua residência e estar a conseguir o sustento da família.

Por seu turno, Constantino Uamusse, motorista há 22 anos, contou que por muito tempo trabalhou somente com homens, mas, orgulhosamente, conta com a colaboração de uma mulher na cobrança das taxas de viagem. 

Indicou que o mais importante é ter flexibilidade e capacidade para gerir um autocarro ocupado por mais de 100 passageiros, isto de modo a completar a receita do dia.  

Por outro lado, João Mambo, utente dos transportes, enalteceu o trabalhou exercido por este grupo social, afirmando que as mulheres respeitam mais os passageiros quando comparadas com os homens. Estes, geralmente, têm apresentado um comportamento de certo modo agressivo.

Casimiro Fuler, gestor da COTRAZIMA, disse-nos que começou a admitir mulheres na sua organização em Julho de 2019, depois de uma sensibilização feita pelo Fundo de DesenvolvimentodosTransportes e Comunicação (FTC), no sentido de dar oportunidade a esta camada social.

Referiu que inicialmente contratou duas mulheres que operam em autocarros diferentes, juntamente com outros dois cobradores para garantir maior flexibilidade no trabalho.

Fuler assegura que o trabalho desenvolvido pelas cobradoras é muito positivo, pois as mesmas cumprem com as metas estabelecidase demonstram boa atitude em relação ao trabalho que desenvolvem.

O interlocutor afirmou que alocando mais autocarrospara a sua cooperativa privilegiará a camada femininanas admissões, pois a mesma tem vindo a mostrar que tem força e habilidades para exercer esta actividade, antes considerada exclusiva para homens.

Falta de contratos em preocupante

A falta de contratos de trabalho constitui umadas principaispreocupaçõesdas cobradoras e não só.

Elasdisseram que devido a esta situação muitas trabalham sem segurança, comreceio de a qualquer momento perderemos emprego.

“Sem contrato corremos o risco sempre iminente de perder o emprego. Não há nenhum documento assinado entre as partes que nos dê a mínima segurança no posto de trabalho”, disse Zilda Condo, cobradora da rota Zimpeto-Baixa.

Acrescentou que já viveu casos de colegas expulsos, porque faltaram ao trabalho por motivos de doença, outros ainda porque não conseguiram completar a receita do dia.

“É normal chegar aolocal de trabalho e encontrar alguém no seu lugar”, lamentou.

 

(EDÍLIA MUNGUAMBE)

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AO sair de casa para o trabalho, Karina Salimo, 39 anos de idade, coloca um balde de água e sabão à entrada do edifício para a lavagem das mãos de todos os que lá forem visitar, mesmo para os membros da família.

Ela realiza esta prática em resposta às recomendações deixadas pelas autoridades de saúde para a prevenção do novo coronavírus, tais como a observância da higiene pessoal e colectiva, bem como o distanciamento social. 

Esta jovem entende que é dever da mulher criar condições para a prevenção da pandemia dentro de casa, no trabalho, na rua, olhando para ela mesma e para os demais membros da família e da sociedade.

Os relatos de mortes na China e Itália e depois o anúncio de casos positivos em Moçambique fizeram com que ela introduzisse novos hábitos de higiene para a prevenção da contaminação pelo vírus.

“O álcool, a lixívia, o sabão e a água são itens que não faltam na minha casa”, garante.

Encontramos Karina numa das avenidas da cidade de Maputo, durante o trabalho de reportagem sobre o papel da mulher na luta contra o Covid 19. O que mais nos chamou atenção foram as luvas que trazia e justificou o porquê as usa: “tocamos no elevador, superfícies de carros, escritórios”. 

Karina trabalha num escritório de advogados e recebe documentos que passam de mão em mão, sendo que “alguém pode espirrar ou tossir e depois pega no documento que pode servir de veículo de contaminação. Por isso, uso luvas. A iniciativa foi minha, mas a empresa também tomou as suas medidas de prevenção para todos”.

Karina e outras mulheres com quem dialogamos reconhecem não ser fácil se prevenir do novo coronovírus, sobretudo quando a rotina diária implica lidar com o público.

“Não se sabe quem está infectado, enquanto não for confirmado positivo. Diz-se que algumas pessoas não têm sintomas mas transmitem o vírus. Isso nos assusta”, disse Delfina Pedro Cossa, 54 anos de idade, vendendo frutas.

Delfina Cossa entende que não há muito a fazer, a não ser seguir as recomendações dadas pelas autoridades da saúde para a prevenção.

“Não deixo que o cliente chegue muito próximo de mim. Depois de receber o dinheiro e entregar os trocos, lavo e desinfecto as mãos”.

O maior desafio, segundo Cossa é ter a certeza de que os filhos seguem todas as recomendações para a prevenção.

“Você pode instruir, mas elas podem falhar porque são crianças”, disse.

Embora não tenhamos ainda o registo de casos de Covid-19 em menores de idade no país, o número de pessoas infectadas está aumentar desde que se anunciou o primeiro caso positivo no domingo. Em menos de cinco dias, já tínhamos sete casos, sendo um de transmissão local e outros importados.

A vida é coisa mais preciosa que temos  

DURANTE o nosso percurso, encontramos a comerciante Lídia Isabel, 22 anos. Para ela, nada é melhor que viver com saúde. Por isso, convidou a outros segmentos da sociedade, em particular mulheres a cumprirem as orientações dadas pelas instituições de saúde.

“Não hesitemos em lavar as mãos sempre que encontrarmos água nas paragens”, aconselhou.

Entende ainda que as medidas de prevenção devem ser observadas também nas famílias. “É nosso dever como mães, tias, ensinar os nossos filhos a lavar constantemente as mãos com água e sabão e manter um distanciamento com os outros. Para quem pode, o álcool em gel também ajuda a desinfectar”.

Segundo Lídia, triste é ouvir de algumas pessoas que estas medidas não são relevantes e ignoram-nas achando  que é tudo uma brincadeira e que nada é relevante.

Para ela, a sociedade deve observar o que acontece nos outros países e tomar acções de prevenção a sério para que a doença não se propague em Moçambique.

“Essas medidas não só salvam a vida dos outros, mas a nossa em primeiro lugar. A vida é a coisa mais preciosa que temos e acho que devemos aproveitá-la da melhor forma, prevenindo-se de doenças. Não há nada melhor que a vida. O dinheiro não traz de volta a vida. Nós até podemos dizer que vamos descansar, mas os nossos parentes ficam a sofrer”.

Lídia vive ainda na casa dos pais com sobrinhos menores de idade. E neste tempo em que todos os alunos estão dispensados de ir a escola aconselha aos pais e encarregados de educação a convidar as crianças a assistir também a noticiários sobre a pandemia para terem a noção do impacto da doença no país e no mundo.

Atenção às crianças e à auxiliadora doméstica

NATACHA Tovo, 39 anos, é mãe de dois filhos (cinco e um ano) e trabalha na cidade de Maputo. Na sua ausência, as crianças ficam ao cuidado da auxiliadora doméstica, o que constitui preocupação porque não sabe o que fica a acontecer na ausência, apesar de ter instruído a todos sobre as medidas que devem tomar para a prevenção de Covid-19.

“Como mãe, temos que ter cuidado com esta doença. Ensino o menino mais velho e a minha sobrinha (14 anos) a manter a higiene básica, mesmo para a senhora que auxilia nos trabalhos de casa. Se for para brincar, que seja apenas no nosso quintal, sem permissão para entrada de outras crianças”. 

Antes, quando voltava do serviço, Natacha conta que a primeira coisa que fazia era abraçar as crianças, mas devido a alta capacidade de infecção do novo coronavirus teve que mudar de hábito. “Fico exposta na rua, no serviço, no escritório, por isso antes de chegar perto das crianças faço o banho. Aconselho as outras mães para que tenham o mesmo cuidado”, disse.

Admitiu contudo, ser difícil garantir a prevenção porque deixa as crianças ao cuidado de terceiros.

 “Se fosse possível ficava em casa para melhor controlar as crianças. Dou instruções à secretária e acredito que ela cumpre. É mãe também. Quando volto procuro saber como correu o dia e exploro cada detalhe. Quando percebo que há falhas, chamo atenção”.

A maior preocupação desta jovem mulher é a mudança da estação do ano de Verão para o Inverno, uma vez que é na época fria que os filhos sofrem de problemas respiratórios e febres como resultado de gripes. “Ficarei sem saber se é uma febre normal ou é um caso de Covid-19. Esta é a minha maior preocupação”.

Os mesmos cuidados são observados por Amélia Matine, 44 anos de idade e mãe de dois filhos. “A doença mata. Por isso, precisamos de tomar precauções. Ir directo ao banho logo que voltar da rua ou tirar a roupa e calçado deixar do lado de fora para evitar transportar o vírus para interior da residência”, disse, alegando que esta medida deveria ser observada por todos os moçambicanos para o bem do país.

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