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Director: Lázaro Manhiça

PELO menos 51 crianças foram raptadas por grupos terroristas desde Maio de 2020 em Cabo Delgado, anunciou ontem a organização não-governamental (ONG) internacional Save the Children.

“Pelo menos 51 crianças, a maioria raparigas, foram raptadas por grupos armados insurgentes na província nos últimos 12 meses”, sendo que “os números reflectem apenas os casos reportados, estimando-se que o balanço real de raptos de crianças seja muito superior”, lê-se em comunicado.

A análise baseia-se em dados recolhidos pelo projecto de registo de conflitos que  ACLED (Armed Conflict Location & Event Data Project) e segundo a ONG “mostra o rapto de crianças como uma nova e alarmante táctica dos grupos armados envolvidos no conflito”.

“Antes de 2020, não havia registo de assassínios ou raptos de crianças”, sublinha.

Chance Briggs, director da Save the Children em Moçambique, diz que “raptar uma criança constitui uma das seis violações graves em tempos de conflito, como definido pelas Nações Unidas” e pode ser um primeiro passo para a existência de crimes de guerra - a par do recrutamento forçada de crianças ou a violência sexual contra menores.

O comunicado relata detalhes de alguns sequestros, como num ataque a 07 de Janeiro em que 21 pessoas, incluindo seis crianças, foram raptadas, num incidente em que pelo menos sete pescadores foram decapitados.

Noutro ataque,a 09 de Junho de 2020, 10 raparigas foram raptadas enquanto tiravam água de um poço.

Os sinais de recrutamento de menores para formação de crianças-soldado pelos grupos rebeldes foram relatados em Abril pelo padre Latifo Fonseca.

“Algumas pessoas que foram aos acampamentos de insurgentes encontraram crianças”, referiu na altura o missionário e investigador do Instituto de Estudos Sociais e Económicos (IESE), de acordo com relatos que ouviu de quem já foi raptado pelos grupos armados e conseguiu fugir.

As descrições alinham-se com outras de mães cujos filhos desapareceram durante a investida de insurgentes contra as aldeias de Cabo Delgado.

João Feijó, investigador do Observatório do Mundo Rural (OMR), referiu numa outra entrevista à Lusa, há dois meses, que o destino de raparigas seleccionadas pelos rebeldes pode ser redes de tráfico de mulheres que se estendem até à Europa e Golfo Pérsico. (LUSA)

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