Director: Júlio Manjate

MEMBROS do Comité Central da Frelimo e convidados à IV Sessão daquele órgão, terminada ontem em Maputo, mostraram-se optimistas na liderança de Filipe Nyusi ao cargo de presidente do partido dos “camaradas” em sucessão a Armando Guebuza.

Francisco Mucanheia, do Comité Central, considerou que a grande expectativa dos membros do partido e dos moçambicanos no geral com a eleição de Nyusi para o cargo de presidente do partido é ver continuada a liderança da Frelimo com segurança e tranquilidade, mantendo-se como principal referência no processo de desenvolvimento do país.

Disse que existe uma certeza comum de que o Presidente Filipe Nyusi será, na liderança do partido, um elemento de união, coesão e de fortalecimento da Frelimo. “Nós, os membros do Comité Central e todos os outros militantes, manifestamos o nosso total apoio ao Presidente Nyusi”, disse Mucanheia, salientando que o sentimento no seio dos membros do Comité Central é de muita confiança e esperança em Nyusi.

Como desafio para o novo presidente do partido, Francisco Mucanheia apontou a manutenção da paz, o que significa continuar os esforços da pacificação, chamar todos os moçambicanos para o convívio familiar e garantir uma justiça social, colocando Moçambique numa posição de destino preferencial para os investidores.

Mucanheia, que também é deputado da Assembleia da República, reconhece que Armando Guebuza deixa o partido mais consolidado, unido e forte, argumentando que a Frelimo está na Assembleia da República com uma maioria qualificada.

Missão cumprida

Ana Rita Sithole, membro do Comité Central da Frelimo, considerou, por sua vez, que a eleição de Filipe Nyusi é uma espécie de “missão cumprida”. “É uma grande alegria para todos nós, particularmente para mim, como membro do Comité Central, e é uma sensação de missão cumprida”, salientou Ana Rita, defendendo que a Frelimo tem momentos próprios para tomar decisões, e este foi o exemplo disso.

Disse que a expectativa era a renúncia de Armando Guebuza e a eleição de Filipe Nyusi, porque o partido estava preparado para ter uma nova liderança.

De acordo com Ana Rita, a última sessão do Comité Central superou as expectativas, tanto dos membros do Comité Central, como dos convidados, que saíram do encontro mais unidos e mais galvanizados. “As três gerações, nomeadamente a da luta armada de libertação nacional, a de 8 de Março e a dos mais jovens, que é a mais activa, saíram mais unidas deste encontro e prontas para seguirem o plano de desenvolvimento”, disse, reconhecendo, no entanto, que o presidente-cessante deixa o partido mais coeso e, acima de tudo, conferiu à Frelimo uma nova forma de estar e um novo dinamismo. “Posso dizer que tive a honra de trabalhar com o Presidente Samora Machel, que me moldou, e depois com o Presidente Joaquim Chissano, e consolidei a minha experiência política com o Presidente Guebuza”, concluiu Ana Rita Sithole.

Diminui o risco de investidor 

Ragendra de Sousa, convidado ao Comité Central, disse, falando na qualidade de economista, que o passo que se deu na liderança da Frelimo tecnicamente reduziu o risco de investidor, porque, no seu entender, já se conhece a linha do comando. “Reduzindo-se o risco reduz-se a taxa de juro, reduzindo a taxa de juro a apetência para investir é maior”, salientou, acrescentando que a este acto eminentemente político os economistas vêem-no como redução de incertezas, o que é importante para o investimento.

Segundo o economista, esta incerteza não se verifica apenas em relação ao estrangeiro, mas também com o investimento nacional, uma vez que todo o indivíduo quer aplicar o seu dinheiro sabendo o que vai acontecer no dia seguinte.

 “Não se esqueçam que o Presidente Guebuza foi Presidente da República e da Frelimo. Então, a maior parte de grandes investimentos começou numa situação de convergência de comando e grande parte destes investimentos não está terminada, então estamos num novo ciclo onde para se investir precisa-se desta convergência”, disse Sousa, acrescentando que isto não acontece apenas em Moçambique mas sim noutras democracias, onde o presidente do partido normalmente é o primeiro-ministro nos sistemas parlamentares.

“Esta é uma prática estabelecida para que o comando económico tenha uma linha clara. O investidor sabe que foi recebido pelo Presidente da República, que simultaneamente é o presidente do partido maioritário. Este tipo de instituições é fundamental para o investimento”, disse, salientando que os não investidores às vezes têm pouca sensibilidade disso.

Renúncia era esperada

Para Rafael Shikani, a renúncia de Armando Guebuza já era esperada pelos membros do partido e não só, muito embora os comentários fossem contrários, uma vez que as condições estavam criadas para o efeito.

“Temos um Presidente da República que agora passa a ser também presidente da Frelimo, que lhe dá um perfil idêntico a todos aqueles que passaram por este cargo. O Comité Central ratificou que a pessoa deve congregar estes dois poderes para conseguir materializar tanto o trabalho governativo como o político”, salientou.

Segundo este interlocutor, o que esta situação implica para os moçambicanos depende muito da leitura de cada um. “O Presidente Nyusi já tinha uma flexibilidade muito antes de assumir esta posição e vamos ver agora se vai continuar com a mesma toada”, concluiu.

CONVERSAS AOS SÁBADOS

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

Administrator: Rogério Sitóe

Administrator: Cezerilo Matuce

JORNAL DIGITAL


Template Settings

Color

For each color, the params below will give default values
Tomato Green Blue Cyan Dark_Red Dark_Blue

Body

Background Color
Text Color

Header

Background Color

Footer

Select menu
Google Font
Body Font-size
Body Font-family
Direction