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Director: Lázaro Manhiça

A apostana educação mostra-se como a melhor via para elevar a presença e actuação da mulher na política, aspecto necessário para a promoção de leis mais sociais e viradas à pacificação e harmonia no país.

A actual situação que ocorre no país, traduzida pela existência da mulher apenas no Governo central e na Assembleia da República, ocupando no órgão legislativo cerca de 40 por cento dos assentos, é imputada à baixa escolaridade deste género e a questões culturais e tradicionais que a sacrificam em detrimento dos homens.

Participantes de uma mesa redonda havida, recentemente, na cidade de Maputo defendem que mais do que, simplesmente, levar a mulher para a vida política, é importante desenvolver nela a consciência de estar nos lugares cimeiros para defender a adopção de instrumentos legais conducentes à defesa de seu bem-estar.

No evento, organizado pelo Fórum Mulher, uma organização feminista com mais de duas décadas de vida, e o Instituto para Democracia Multipartidária (IMD), em parceria com a Embaixada da Suécia, ficou patente que só com mudanças na vertente da educação o país terá mulheres engajadas na vida política e determinadas a fazer a diferença.

Maria Paula Vera Cruz, do Fórum Mulher, chegou mesmo a apontar o sistema patriarcal que vigora na maior parte do país como factor contribuinte da colocação da mulher em segundo plano.

Um dos resultados do modelo é a preferência pela educação dos rapazes ao invés das raparigas, vistas desde o início como pessoas cuja vocação é cuidar do lar e dos filhos.

Hermenegildo Mulhovo, director-executivo do IMD, clarificou que o encontro tencionava discutir estratégias visando uma maior presença da mulher em lugares políticos de topo, tendo como horizonte o movimento eleitoral que mudou de figurino com a revisão pontual da Constituição da República.

A mesa redonda da semana passada foi apenas um contacto inicial, mas o IMD já agendou um encontro com os secretários-gerais dos principais partidos políticos nacionais para expor a necessidade de se colocar a mulher nos primeiros dois lugares das listas, tendo em conta que só desta forma pode-se ter, por exemplo, mais presidentes de municípios do sexo feminino.

Igualdade é conquistada

INTERVINDO na ocasião, a embaixadora da Suécia, Marie Andersson, disse que o mundo, no geral, e Moçambique, de forma particular, serão lugares melhores no momento em que homens e mulheres partilharem igualdades de direitos em todas as circunstâncias.

Apontou que o seu país adoptou uma política feminista há três anos e procura influenciar as nações com as quais coopera para que a sigam, devido aos seus benefícios na melhoria da vida da mulher.

Contudo, clarificou que os direitos à igualdade nunca foram atribuídos. Representam uma conquista após momentos de luta e defendeu que a presença da mulher em lugares cimeiros da vida política deve ser por mérito e não apenas através de campanhas visando o alcance de números.

Neste sentido, defendeu o desenvolvimento de uma estratégia de longo prazo visando fortalecer a confiança da mulher na vida política.Tal como os outros participantes, acredita que uma maior participação da mulher na política trará ganhos sociais e económicos enormes.

“Queremos ver Moçambique desenvolvido. As mulheres têm um papel maior na pacificação da sociedade, pelo que os partidos políticos devem colocá-las no topo das listas neste momento de viragem política”, defendeu a diplomata.

Estudo destaca ganhos

pelamulher na política

UMA pesquisa desenvolvida por um moçambicano baseado na Universidade sul-africana de Witswatersrandrevela que o país apenas tem bons indicadores na Assembleia da República, onde 40 por cento dos 250 assentos são ocupados por mulheres.

Nos outros órgãos, os dados já não são assim tão animadores. Existem apenas duas governadoras provinciais - na altura do estudo havia três -, e uma presidente de Assembleia Provincial, das 10 em funcionamento. Das 53 assembleias municipais, cinco é que são lideradas por mulheres.

Delton Muianga, que presidiu e apresentou a pesquisa, indicou que se juntar os deputados da AR, os membros das 10 AP e das 53 assembleias municipais nota-se que apenas perto de 36 por cento é que são mulheres.

Defendeu um maior envolvimento da mulher na política, assegurando que o país reduziria males como violência doméstica, exclusão social e haveria melhores políticas públicas, tendo em conta a sensibilidade que este género possui.

Leitura da AMMCJ

EMBORA Delton Muianga tenha revelado preocupação face aos números sobre a participação e presença feminina na vida política do país, Dalmázia Cossa, da Associação Moçambicana de Mulheres de Carreira Jurídica (AMMCJ), disse que a situação é encorajadora, não havendo daí razões para alaridos.

“Estamos satisfeitas. São resultados encorajadores”, disse, acrescentando, porém, que a AMMCJ, que agora trabalha em nove das 11 províncias do país, vai intensificar a disseminação de direitos políticos no seio das mulheres.

A jurista foi no mesmo diapasão da embaixadora da Suécia ao defender meritocracia na presença da mulher em lugares políticos de topo.

Para a AMMCJ, em termos quantitativos, o país está bem e situa-se acima da média regional e continental, sendo, agora, hora de as mulheres lutarem para alcançar cifras qualitativas, que só se alcançam com investimentos na educação deste género e maior empandeiramento.

José Chissano

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