MARCELINO dos Santos usou as artes como um poderoso instrumento de resistência e repúdio à dominação colonial, considerou ontem, em Maputo, o Presidente da República, Filipe Nyusi.
O Chefe do Estado recordou o poeta e veterano da luta de libertação nacional Marcelino dos Santos durante a cerimónia de lançamento dos livros “Canto do Amor Natural” e “Marcelino dos Santos: personalidade multifacetada e homem do povo”, chanceladas pela Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO) e pela Alcance Editores, respectivamente. As duas publicações celebram a vida e obra do homem de cultura que também era conhecido nestas lides por Kalungano e foram publicadas por ocasião da passagem do primeiro aniversário da sua morte, ocorrida a 11 de Fevereiro de 2020.
O lançamento de sexta-feira (12) juntou no Centro de Conferências da Tmcel, na capital do país, várias figuras dos meios cultural, político e académico.
O Presidente Nyusi, que assina o prefácio da obra, afirma que Marcelino dos Santos foi um incansável combatente da liberdade, sublinhando que não se pode falar inclusivamente da história do país e de alguns movimentos nacionalistas de África sem mencionar no seu nome.
“Ele denunciou as práticas desumanas do colonialismo, despertando o nacionalismo dos africanos que ansiavam pela liberdade e usou a literatura como um poderoso instrumento de resistência e repúdio à ocupação colonial”, disse o Chefe do Estado, destacando outros nomes importantes das letras como José Craveirinha, Noémia de Sousa, Rui Knofli, Rui Nogar ou Luís Bernardo Honwana. “Foi um homem itinerante, que conviveu com os melhores revolucionários do seu tempo em várias cidades africanas”, continuou.
Neste sentido, o Presidente refere ainda que os textos de Marcelino dos Santos deram um grande contributo na consciencialização do mundo sobre a necessidade de emancipação dos povos oprimidos pelo colonialismo. Do mesmo modo, afirma que os seus poemas perpetuam a cultura moçambicana. Através da sua diplomacia, despertou o mundo para os malefícios do colonialismo.
Na ocasião, o secretário-geral da AEMO, Carlos Paradona, disse que a literatura de Kalungano espelha um homem com ideias enraizadas e maduras, de um homem que sempre defendeu “a liberdade de pensamento e de criação literária”. Avança que são estas qualidades que o tornaram membro-fundador da Associação dos Escritores e o primeiro integrante da Colecção Timbila.
