CELEBRA-SE hoje, 23 de Abril, o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, efemérideinstituída pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) em 1995,em homenagem aos escritores Inca Garcilaso de la Vega, Miguel de Cervantes e William Shakespeare, que perderam a vida neste dia em 1616.
Em Moçambique, a data é comemorada commuitos desafios no que respeita principalmente aos direitos de autor, que não têm sido muito respeitados, sendorecorrentes situações em que as obras são usadas sem que os autores tirem disso algum benefício, conforme fez notar ao “Notícias” David Abílio, antigo director da Companhia Nacional de Canto e Dança (CNCD).
David Abílio deu exemplos das rádios dizendo que nem todas elas pagam pelas músicas e outros trabalhos que veiculam. Aponta dedo igualmente aos próprios criadores,dizendo que alguns deles “não têm noção de que devem ser pagos”, pois pensam que o mais importante é apenas visibilidade do seu trabalho.
Por seu turno, o jornalista e crítico literário José dos Remédios refere que o debate em volta dos direitos de autor é antigo e “já fartou muita gente”. Lamenta o facto de até dentro das academias os estudantes acharem caro comprar um trabalho original, optando por reproduzi-lo, lesando o autor.
“Para se resolver esta situação,é preciso que todos os intervenientes da sociedade estejam unidos”, disse José dos Remédios.
O secretário-geral da Associação Moçambicana de Autores (SOMAS), José Manuel, reconhece as questões acima levantadas e refere que, em tempos da pandemia do novo coronavírus, se o consumidor das artes pagasse os direitos, a crise que afecta os criadores seria minimizada.
José Manuel defende que as empresas devem cumprir a sua parte,de modo a garantir a sobrevivência dos fazedores das artes e cultura no país, apesar de lamentar o facto de “muitas delas estarem a falir”.
O dia não passará em branco
Aprovíncia de Maputo acolhe as cerimóniascentraisdas celebrações do Dia do Livro e dos Direitos de Autor,a terem lugar no Instituto Industrial e Comercial da Matola, dirigidas pela ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula.
Na ocasião, os artistas poderão registar gratuitamentesuas obras de arte como livro, disco, pintura, escultura, música, textos, entre outras. Noutras regiões do país, o registo será nas direcções provinciais da Cultura e Turismo.
Por sua vez, a Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO) apresenta hoje a segunda edição do programa “No Gume da Palavra” que, devido à pandemia do novo coronavírus, este ano será realizado principalmente com recurso aplataformas digitais.
Este ano, o destaque do programa vai para a realização de um festival literário que envolve países da língua portuguesa e homenagens aos autores moçambicanos já falecidos e celebrações do centenário do poeta José Craveirinha.
O evento contará com música, com Yolanda Chicane (da banda Kakana) e Roberto Isaías (dos Kapa Dech);leitura e declamação de poesia, com declamadores como Sangare Okapi, Iracema de Sousa e Eduardo Quive.
