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Categoria: Conversas ao sábado
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FOI com agrado que recebemos a notícia de que as forças da Polícia da República de Moçambique (PRM) mudariam de uniforme para responder aos padrões da região. A nossa satisfação era, igualmente, alimentada pela expectativa de que todos os agentes da corporação perceberam que a farda nova significava também mudança de postura.

Já não é de hoje que nos queixamos de alguns agentes da Polícia, tanto a de Protecção, assim como a de Trânsito, dedicarem-se à extorsão de transeuntes inocentes e infractores.

Ao invés de se dedicarem à correcção de comportamentos desviantes, que colocam toda a sociedade em risco, apenas se especializam em dominar a legislação, com o intuito de a partir dela facturar para os seus bolsos.

Tendo atingido níveis que deixam a impressão de se tratar de uma actividade corrupta institucionalizada – uma vez que vemos poucas punições exemplares – o vírus já infectou também a Polícia Municipal.

Diariamente, agentes da Polícia Municipal de Maputo, pela manhã, sobretudo, ao invés de inspecionar os automóveis, sobremaneira os “chapas”, que transportam a maioria dos residentes, apenas abrem o livrete para sacar o dinheiro de “refresco” organizado pelo motorista e cobrador.

Por exemplo, os veículos que passam pela esquina entre as avenidas Guerra Popular e 25 de Setembro, a tripulação, de forma descarada, organiza o dinheiro para os agentes na cara dos passageiros.

No caso dos particulares, a referência, na capital do país, são as equipas estacionadas na Maquinaq. Os condutores embriagam-se seguros de possuir alguns meticais no bolso, para entregar aos agentes da Polícia de Trânsito (PT), de modo a seguir a sua viagem e, mais adiante, poder atropelar, embater, entre outros incidentes que um indivíduo alcoolizado na autoestrada pode fazer.

Trata-se de casos sobejamente conhecidos e de domínio público, que espanta continuarem tal e qual. A “bolada” dos agentes da Polícia de Protecção, entre outras, é apreender indivíduos na posse de canábis e, chegados à esquadra, cobrar um valor para a pessoa sair impunemente.

Não é a primeira vez que dedicamos o Tema de Fundo a este assunto, em vão. Mas enquanto não vermos este mal ultrapassado, não nos cansaremos de reclamar.