Director: Lázaro Manhiça

SEMPRE foi apanágio deste jornal procurar reportar quase tudo o que ocorre na sociedade sobre diversos domínios da vida quotidiana dos cidadãos. Comprometidos com os factos, inovando e informando sempre, os jornalistas deste matutino observam, interpretam e descrevem o que vêem e ouvem todos os dias, procurando alertar e prevenir determinadas situações indesejáveis.

Como qualquer jornal, chamamos atenção sobre o que anda mal para que as entidades ou pessoas indicadas possam corrigir determinadas situações e prestaremmelhor serviço aos cidadãos, mas também não fechamos os olhos para o que está bem ou, se preferirmos, que começa a melhorar.

Vem este introito a propósito da quadra festiva,que, tirando um e outro episódio de violência física e acidentes de viação que pintaram de negro os últimos dias do mês de Dezembro de 2019, pode-se considerar de ordeira e pacífica, a medir pelos relatos que nos chegam de todos os pontos do país.

Queremos destacar aqui neste espaço a actuação da Polícia da República de Moçambique (PRM),que desde a festa do Dia da Família até à transição do ano 2019 para 2020, a nosso ver, foi positiva e merece todo o nosso apoio e elogio.

Alguém dirá que a corporação não precisa de tais elogios porque esteve apenas a cumprir o seu dever. Sim, concordamos com isso!

Mas quando estávamos habituados a lidar com uma Polícia que nas festas esfregava as mãos para amealhar alguns cobres dos cidadãos a troco de quê não sabemos, sobretudo dos imigrantes, é precisodestacar o comportamento a que assistimos desta vez.

É que ouvimos o comandante-geral da PRM, Bernardino Rafael, a anunciar a suspensão de férias e folgas a todos os agentes e aconselhou-os a actuaremde modo a auxiliar os cidadãos, orientando-os sobre o seu comportamento na euforia das festas,sem alterar a ordem pública.

Disse também para mandar parar os automobilistas quando o objectivo for de dar informações sobre as condições da via e/ou de qualquer situação na estrada, assim como para alertar sobre o perigo de uma condução sob efeito de álcool ou comfadiga, menos para importuná-los.

Falou até da criação de centros de internamento para os bêbados que se fazem ao volante até recobrarem a lucidez ou, querendo continuar com a viagem, solicitar outra pessoa habilitada e que não tenha ingerido bebidas alcoólicas para fazê-lo por eles.

Notámosassimgrande presença policial nas ruas e locais estratégicos em grupos de dois ou três agentes que, sem interpelar ninguém, persuadindoseja quem fosseque tivesseintenções de criar desordem e prestaram auxílio a quem necessitasse.

Vimos também os “Mahindras” recentemente atribuídos à corporação posicionados emlocais bem identificados e outras viaturas de assalto que, de vez em quando, davam um giro pelos bairros sem incomodar ninguém, o que serviu para afugentar todos aqueles que têm nas veias o ADN de provocar mal aos outros.

Aplaudimosesta nova postura da corporação e queremos que seja assim todo o ano, a ver se, ao longo do tempo, sejapossível limpar aquela imagem que os moçambicanos têm de polícias que estão só para criar dificuldades ao cidadão.

Involuntariamente, ouvi um agente policial a perguntar a um outro, julgo ser seu superior, se depois deste período festivo em que garantiram a tranquilidade,seriam retomadas as folgas. Não ouvi a resposta, mas calculo que tenha dito que sim,porque é de regra, desde que isso não prejudique a manutenção da ordem.

Mas, como sói dizer-se,“não há bela sem senão” ou, querendo, “no melhor pano cai a nódoa”. Com efeito, ouvimos, logo no segundo dia do ano, que foi neutralizado um agente que liderava uma quadrilha de larápios no Niassa e recuperada na sua posse uma arma de fogo.

Destaque-seneste caso o imediato posicionamento da corporação,que tratou de prender, responsabilizar criminal e disciplinarmente o agente que, à partida, será expurgado da corporação. Acrescentamos que é preciso averiguar, vasculhando bem na sua residência se não terá outra arma escondida.

Se por causa da presença policial ou não, o comportamento dos cidadãos foi também, a todos os títulos, louvável, o que leva a crer que acataram os conselhos do comandante-geral paraconter os ânimos e respeitar o período de dez minutos antes e depois da transição para o uso do fogo-de-artifício, para além dos cuidados no seu manuseamento.

Como resultado, poucos casos de ferimentos por agressões físicas e de queimaduras com objectos pirotécnicos deram entrada nos hospitais, o que deixou os profissionais de saúde com espaço para atender a casos de doenças naturais e não de brincadeiras de mau gosto.

A exemplo disso, em conversa com uma pessoa conhecida, disse que passou a transição do ano no Hospital Central de Maputo na companhia de um familiar que se sentiu mal momentos antes da meia-noite.

Disse que esteve lá até cerca das 3 horas da madrugada do dia 1 de Janeiro, mas não assistiu a habitual avalanche de feridos com garrafas de cerveja e outros objectos contundentes ou queimaduras a dar entrada no Banco de Socorros.

Anotou que até o corpo médico abandonou os gabinetes de atendimento para o pátio, de onde assistiu ao fogo-de-artifício,porque, de facto, não havia doentes para atender, mostrando que, realmente, esta foi uma das transições mais tranquilas que tivemos.

Este comportamento dos cidadãos mostra alguma tomada de consciência sobre a possibilidade de fazer festa sem, necessariamente, queimar pneus nas ruas, partir garrafas ou atirar pedras contra tudo e todos só para mostrar que estão satisfeitos.

Fazemos votos para que todos os dias sejam de festa, ordem, tranquilidade e todos os anos se “rendam” sem empurrões,e aconselhamos o ano 2020, que decorridos os seus 365 dias, venha ceder o lugar a 2021 na mesma tranquilidade que recebeu de2019.

Isaías Muthimba

CONVERSAS AOS SÁBADOS

Template Settings

Color

For each color, the params below will give default values
Tomato Green Blue Cyan Dark_Red Dark_Blue

Body

Background Color
Text Color

Header

Background Color

Footer

Select menu
Google Font
Body Font-size
Body Font-family
Direction