Imprimir
Categoria: Província Em Foco
Visualizações: 2227

Quatro pessoas morreram e uma ficou ferida durante um ataque armado contra um centro de saúde na aldeia de Macorococho, no interior de Nhamatanda, Sofala,  disseram ontem à Lusa várias fontes.

Um grupo armado invadiu a aldeia no início da noite de segunda-feira, cerca das 19:00 horas  locais  e disparou contra o centro de saúde e as residências do pessoal técnico, nas imediações.

Depois, o grupo saqueou medicamentos e incendiou a unidade sanitária, contou uma testemunha.

"Estava a começar a escurecer e chovia quando muitos tiros foros disparados em direcção ao centro de saúde. Quando percebemos que era um ataque, fugimos", contou à Lusa, Sebastiana Mateus, que pernoitou com as duas filhas debaixo de uma árvore, numa mata próxima da aldeia.

António Chiranga, morador, afirmou que “quando chegaram ao centro de saúde começaram a disparar", descrevendo que a população "começou a fugir desorientada" parauma mata próxima, dizendo que havia vários mortos.

Em resultado do ataque, uma mulher que tinha saído de uma consulta hospitalar morreu e três homens foram atingidos mortalmente por uma"chuva de balas" nas imediações do centro de saúde, contou outro morador.

"Morreram três homens e uma mulher ficou gravemente ferida, perdendo a vida mais tarde", disse uma funcionária do centro de saúde, que sobreviveu ao ataque.

O marido de uma enfermeira do posto de saúde está desaparecido, contou a funcionária.

Um outro residente disse que a população que estava refugiada nas matas começou a deixar a aldeia de Macorococho no início da manhã de terça-feira e refugiou-se nas aldeias vizinhas de Mafufu, Macuácua e Ndindiri, após ameaças de novos ataques.

A zona onde ocorreu o ataque de segunda-feira fica perto do local em que  foi abatido a tiro, em Outubro, um agente da polícia durante o ataque ao posto policial de Metuchira,tendo sido roubada também uma arma.

A Lusa contactou o porta-voz do Comando Provincial da Polícia da República de Moçambique em Sofala, que disse não ter conhecimento da ocorrência.

A autoproclamada Junta Militar da Renamo, uma facção dissidente da guerrilha do principal partido da oposição, ameaçou, em várias ocasiões, fazer ataques armados após a tomada de posse para o segundo mandato do Presidente Filipe Nyusi.

As estradas nacionais 01 e 06, nas províncias de Manica e Sofala, têm sido palco de ataques atribuídos a este grupo dissidente, desde 06 de Agosto, tendo já provocado 21 mortos.

A Renamo tem-se distanciado do grupo, classificando-o de desertor.