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Categoria: Ciência, Tecnologia e Ambiente
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A PROTECÇÃO e valorização do património natural e cultural, ordenamento territorial, desenvolvimento comunitário e criação de mecanismos de financiamento, são algumas áreas de intervenção definidas como prioritárias na implementação do Projecto Chimanimaninos próximos quatro anos.

Trata-se de uma decisão tomada recentemente, durante a realização da primeira sessão do comité director do Projecto Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Comunitário de Chimanimani, área de conservação localizada no distrito de Sussundenga, província de Manica. 

A iniciativa resulta de uma parceria entre a Fundação para a Conservação da Biodiversidade (Biofund), Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), Agência Francesa para o Desenvolvimento (AFD), Fauna and Flora International (FFI), Fundação MICAIA e Fundo Nacional de Desenvolvimento Sustentável (FNDS), através do Projecto MozBio II. 

De acordo com informação publicada no site do Biofund, o projecto possui um financiamento orçado em 4.8 milhões de euros (cerca de 437 milhões de meticais), dos quais três milhões (cerca de 273 milhões de meticais) são provenientes da AFD, 1.2 milhões (cerca de 110 milhões de meticais) do Fundo Francês para o Ambiente Mundial (FFEM) e o remanescente da FFI. 

Na sessão, foram também debatidos aspectos relacionados com a coordenação, implementação e alcance dos resultados do projecto, assim como foram aprovados o plano de actividades e orçamento para este ano.  

Criado em 2000, o Parque Nacional de Chimanimani (PNC), antes Reserva Nacional de Chimanimani (RNC), foi elevado e esta categoria em 2020, com o objectivo último de consolidar os mecanismos de geração de benefícios para as comunidades circunvizinhas.

A sua recategorização como parque nacional visa também garantir a protecção das espécies da flora e fauna, os seus locais históricos e culturais, assim como os diferentes ecossistemas.

Nesta área protegida destacam-se, entre outras atracções, a “Ponte de Deus”, uma paisagem natural em forma de ponte que ilustra a imagem de dois rios que correm em sentidos opostos.

No domínio sócio-cultural evidencia-se a cordilheira de Chimanimani, reconhecida pela existência do ponto mais alto do país, o Monte Binga, com 2.436 metros de altitude, e das cavernas, onde se encontram esculpidas as pinturas rupestres. Estas representam os hábitos e costumes das gerações ancestrais dos povos que ali se estabeleceram e viveram há cerca de dez mil anos. 

Para além da sua rica biodiversidade, com espécies que incluem aves, mamíferos, morcegos, anfíbios, répteis, insectos e uma variedade de plantas, o parque é uma área de interesse histórico, sendo as suas montanhas habitadas há séculos, como demonstram vestígios de arte rupestre da Idade da Pedra.