A PRIMEIRA Central de produção de energia solar de grande dimensão, em Moçambique, que  irá incrementar a resiliência climática do sector energético e o abastecimento da corrente eléctrica às zonas rurais, marca o início da nova etapa de projectos de geração deste recurso e atracção de investimentos.

Outrora, o país desenvolvia projectos de geração de energia eléctrica com base hídrica, térmica e a gás natural. Com a entrada em funcionamento da Central Solar de Mocuba, Moçambique passa a produzir energia em quantidade bastante apreciável de 40MW.

Para garantir a sustentabilidade da cobertura da rede da Central de Mocuba, que vai fornecer energia às regiões Centro e Norte, está projectada a construção de uma outra similar em Metoro, na província de Cabo Delgado.

A infra-estrutura foi inaugurada, recentemente, pelo Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, que na ocasião informou, que o projecto de construção da Central Fotovoltaica de Mocuba foi motivado pelo facto de ter tido especial destaque no Fórum Internacional Africano de Energia (AEF), que decorreu em Junho de 2017, na Dinamarca.

“Também contribuiu para o efeito, os benefícios sociais e económicos, para além do seu impacto ambiental e inovação, que vai colocar Moçambique como um promotor de referência de energias renováveis”- disse.

Referiu que a escassez de energia eléctrica no Continente e em particular na Região Austral é uma realidade, agravada pelo crescimento da carga, o que obriga a conceber outras fontes de geração com base em energias renováveis, sendo Mocuba e Metoro projectos pioneiros da iniciativa.

Explicou que a Electricidade de Moçambique (EDM) está comprometida em fazer o aproveitamento do potencial solar de Moçambique e garantir a estabilidade da rede, tendo em conta que, neste momento, o país depende de um sistema de transporte de energia com linhas muito longas, vulnerável a interrupções.

Cruzamento de caminhos,

abraços e centro de energia

Segundo o Administrador de Mocuba, Joaquim Pahare, só pelo facto de ser o primeiro empreendimento do género no país, instalado neste distrito, onde “os caminhos se cruzam e os moçambicanos se abraçam” é já um ganho e constitui um ponto de referência, no que diz respeito aos investimentos de grande dimensão.

Pahare disse ao jornal “Notícias” que na fase de instalação da infra-estrutura, o projecto ofereceu emprego a muitos residentes locais, onde a maioria não tinha nenhuma formação profissional. 

O governante garantiu, que todos os envolvidos nas obras da Central Solar beneficiaram do emprego e formação prática durante os trabalhos e agora são técnicos e outros assistentes.

“O apagão que afectou Mocuba, em Janeiro de 2015, retraiu os investidores. Uma das condições, que os investidores exigiam, era a energia de qualidade. Agora, nós, como Governo, temos a missão de sensibilizar os empresários a desenvolverem as suas actividades, porque o distrito já tem todas condições criadas para o exercício empresarial”- disse.

O administrador comentou que Mocuba, além de cruzamento ou encontro dos rios Lugela e Licungo, é também centro de energia solar.

Florentino Cardoso, director distrital dos Serviços de Actividades Económicas (SDAE), afirmou que o empreendimento inaugurado é bem-vindo, porque, há muito que Mocuba precisava do reforço da corrente eléctrica, para garantir a sustentabilidade dos investimentos económicos.

Cardoso disse que a fraca capacidade da corrente eléctrica, que a rede oferecia, retraia investimentos, cuja actividades requerem-na.

Lembrou, que já apareceram empresários a manifestarem interesse em desenvolver acções económicas, mas por causa da fraca capacidade de energia, desistiram.

Explicou que com a oscilação da energia, alguns empresários somaram perdas avultadas, originadas pela destruição de Postos de Transformação da corrente (PT), equipamento do trabalho e electrodomésticos.

“Agora, Mocuba tem muita quantidade de energia e de alta qualidade, para mover máquinas de grande potência, em várias áreas de exploração de recursos. As empresas, que operam neste momento, vão poder aumentar a capacidade da sua produção porque já não há limitação da corrente”- comentou.

Vitória Coelho, uma operadora no ramo de restauração e prestação de serviços, considera que se o empreendimento for usado no verdadeiro sentido é sem dúvida um ganho para Mocuba.

A interlocutora chamou a atenção para o facto de, se o mesmo tiver sido escolhido, simplesmente, para alocação da infra-estrutura e a sua produção for destinada apenas à venda para fora, “em detrimento da comunidade local e dos zambezianos, em geral, será uma decepção”.

Laboratório de física

Vitória Coelho disse também que o reforço da capacidade de energia vai acelerar o desenvolvimento. “O povoado de Bive, local onde se instalou o empreendimento vai se tornar um centro atractivo para turistas, pelo facto de as pessoas quererem visitar a Central Solar.

A fonte disse que para ela, o empreendimento é sem dúvidas o laboratório de estudo de física, para os alunos conciliarem a teoria e à prática.

Opinou que as escolas podem organizar uma viagem de estudo à Central Solar, para os alunos receberem aulas práticas, sobre a geração da corrente eléctrica. 

Acrescentou que a Central Solar de Mocuba possui uma gama de aproveitamento, devendo-se apenas elaborar um plano combinado com uma comissão constituída por técnicos multiministeriais.

POR: SAMUEL UAMUSSE

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