CRISE NO SUDÃO: PM reconduzido diz ter mãos livres para formar gabinete

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O PRIMEIRO-MINISTRO reintegrado do Sudão disse na segunda-feira que tem autoridade para formar o seu próprio governo independente, segundo o acordo que assinou com os principais generais do país, que o derrubaram num golpe no mês passado.

Em comentários feitos durante uma entrevista ao canal Al-Jazeera, Hamdok disse que previa que o próximo governo se concentrasse na revisão da constituição do país e na realização de eleições. 

No domingo, o primeiro-ministro deposto do Sudão assinou um acordo para ser reinstalado no cargo, quase um mês depois de ter sido afastado na sequência de um golpe militar, que o levou à prisão domiciliária.

O acordo agora assinado prevê um executivo independente e tecnocrático a ser liderado por Hamdok até que possam ser realizadas eleições no país. Mas, mesmo assim, continuará sob supervisão militar.

Porém, Hamdok afirmou que terá poder, “em total liberdade e sem quaisquer pressões”, para fazer as nomeações para o seu próprio gabinete.

“Esta foi uma parte fundamental do acordo político que assinámos”, disse na entrevista.

Entretanto, em resposta ao acordo de domingo, milhares de sudaneses saíram às ruas no próprio dia para denunciar aquilo a que muitos chamaram uma traição à causa democrática pelo seu antigo primeiro-ministro, que tem sido o rosto civil do governo de transição desde que assumiu o cargo, após a revolta popular de 2019, que depôs Omar al-Bashir.

Os principais partidos políticos da oposição do país disseram que recusam veementemente o acordo feito pelo primeiro-ministro com os generais.

Hamdok disse no domingo, durante a assinatura do acordo com os militares, que o seu principal objectivo era parar o derramamento de sangue no país.

Segundo médicos sudaneses, pelo menos 41 pessoas foram mortas até agora em protestos contra o golpe de Estado. (LUSA)

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