VALDIMIRO SAQUENE, EM JOANESBURGO
O ÚLTIMO fim-de-semana de campanha para as eleições gerais na África do Sul foi marcado por comícios dos quatro principais partidos políticos, nomeadamente ANC, DA, EFF e MK Party, a prometerem servir melhor ao povo caso vençam o escrutínio desta quarta-feira.
Milhares de apoiantes do partido governante, o Congresso Nacional Africano (ANC) reuniram-se num estádio de futebol, em Soweto, Joanesburgo para ouvir o discurso do seu líder, Cyril Ramaphosa, que reconheceu algumas queixas dos sul-africanos, relativamente ao elevado custo de vida e desemprego, que afecta principalmente a maioria negra do país, tendo prometido melhorias na sua governação.
Por sua vez, o líder do maior partido da oposição na África do Sul, Aliança Democrática (DA) John Steenhussein, realizou um comício na Cidade do Cabo, onde prometeu mudanças no país caso a sua formação partidária saia vitoriosa.
Os Combatentes da Liberdade Económica (EFF, na sigla em Inglês), a terceira força política na África do Sul, tiveram a sua última grande reunião em Polokwane, na terra do seu líder, Julius Malema, que no seu discurso prometeu acabar com o desemprego no país.
O UMKhonto we Swizwe (MK Party), antigo braço armado do ANC durante a luta contra o “Apartheid”, fundado pelo antigo Presidente sul-africano Jacob Zuma, entretanto impedido de concorrer para a Presidência pelo Conselho Constitucional, reuniu os seus apoiantes num município da cidade de Durban.
Pela primeira vez em 30 anos de democracia a África do Sul vai a eleições com uma população maioritariamente jovem, num escrutínio que se prevê que seja o mais disputado de sempre.
Nas últimas eleições gerais, em 2019, o partido no poder venceu com 57.5 por cento dos votos, contra 20.7 por cento da AD e 10.7 por cento do EFF.
O ANC detém actualmente 230 dos dos 400 assentos parlamentares, enquanto a AD e o EFF tem 84 e 44 lugares, respectivamente.
Refira-se que a Comissão Eleitoral Independente (ICE, na sigla em inglês) abriu recentemente, pela primeira vez, o centro nacional de operações de resultados em Midrand, Joanesburgo, contrariamente ao que vinha acontecendo desde as primeiras eleições gerais em 1994, em que este se localizava em Pretória, a capital do país.
O centro vai servir como ponto de convergência para que os partidos políticos, candidatos independentes, jornalistas, observadores possam acompanhar os resultados eleitorais em tempo real.


