Justiça da RDCongo abre investigação sobre clã Kabila

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UMA investigação judicial sobre o clã do antigo Presidente da República Democrática do Congo (RDCongo) Joseph Kabila foi aberta em Kinshasa na sequência de revelações relativas a alegados desvios de 138 milhões de dólares (8,8 mil milhões de meticais), informaram ontem fontes judiciais.

Segundo uma investigação intitulada “Congo Hold-up”, conduzida pelos meios de comunicação internacionais e organizações não-governamentais (ONG) e que começou a ser publicada na passada sexta-feira, Kabila e a sua família terão “desviado”, pelo menos, 138 milhões de dólares dos cofres do Estado.

Os alegados desvios de fundos ocorreram entre 2013 e 2018, de acordo com os autores da investigação, que está a atingir repercussões fortes na RDCongo.

O porta-voz do Governo e ministro para a Comunicação, Patrick Muyaya, afirmou na segunda-feira que a ministra congolesa de Estado e da Justiça, Rose Mutombo Kiese, “escreveu ao Ministério Público no dia 20 de Novembro”, e deu indicações para que seja realizada uma “investigação” e formalizada a eventual “acusação” correspondente.

Uma fonte da Procuradoria-Geral congolesa confirmou a abertura do inquérito.

Segundo a “Congo Hold-up”, os 138 milhões de dólares terão sido desviados “com a cumplicidade do banco BGFI RDC” no qual pessoas próximas de Kabila tinham interesses e responsabilidades, “em particular através de uma empresa de fachada, montada numa garagem”.

De acordo com os seus autores, a investigação baseia-se em 3,5 milhões de documentos bancários confidenciais, obtidos pela Mediapart e pela ONG “Plataforma para a Protecção dos Denunciantes em África (PPLAAF)”.

Os dados foram analisados ao longo de seis meses por 19 meios de comunicação social internacionais e cinco ONG, coordenados pela rede European Investigative Collaborations (EIC).

O serviço de comunicação de Joseph Kabila descreveu as conclusões como uma “tentativa de desacreditar” o antigo Chefe de Estado.

Kabila liderou a RDCongo entre Janeiro de 2001 e Janeiro de 2019, ano em que foi sucedido pelo seu arquirrival e actual Chefe de Estado, Felix Tshisekedi. – (LUSA)

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