PROJECTO DE PROTECÇÃO COSTEIRA: Gregório Leão afirma que SISE buscou financiamento

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HÉLIO FILIMONE 

O interrogatório do réu, Gregório Leão, que começou ontem as 9.30 horas com questões prévias, terminou noite adentro, devendo retomar hoje, o julgamento do caso das dívidas não declaradas, que decorre na BO, província de Maputo. 

O réu confirmou ontem ao tribunal que o Serviço de Informação e Segurança do Estado (SISE) teve um papel determinante na criação e busca de financiamento para o projecto de criação da Zona Económica Exclusiva (ZEE), envolvida na fraude de 2.2 mil milhões de dólares. 

Conforme explicou o ex-director-geral do SISE, para a aprovação do projecto foram realizadas diversas reuniões do Comando Conjunto, dirigidas pelo antigo Presidente da República, Armando Guebuza, tendo como atenção questões de segurança de Estado, em função das ameaças de terrorismo, imigração ilegal, narcotráfico e pirataria que pairavam na altura. 

Do último encontro do Comando Conjunto, segundo esclareceu, foi encarregue ao SISE a missão de buscar financiamento para fazer face às necessidades financeiras que o Orçamento do Estado não poderia cobrir. Confirmou que, inicialmente, o projecto esteve orçado em 302 milhões de dólares e que subiu para 622 milhões de dólares, porque viria a englobar pormenores operacionais que não quis detalhar.

Como Director-geral do SISE, cargo que ocupou de 2005 a 2017, disse que nunca beneficiou de fundos pagos pela Privinvest. Tanto é que, segundo explicou, nunca foi sócio da MULEPE, uma empresa que tinha como integrantes a sua esposa, Ângela Leão, e o colega e co-réu, Cipriano Mutota. A firma é apontada pelo Ministério Público como tendo sido usada para receber os subornos da Privinvest.

Com o interrogatório várias vezes interrompido por o réu furtar-se a responder  questões do Ministério Público e do tribunal, alegando pretender cingir-se ao projecto da Zona Económica Exclusiva, nomeadamente na criação das empresas EMATUM, PROINDICUS e MAM, Gregório Leão reiterou que a decisão foi tomada pelo Comando Conjunto e quem tem o domínio da sua funcionalidade é o co-réu António Carlos do Rosário.

Disse que não pretendia entrar em detalhes sobre a criação das referidas empresas por se tratar de uma informação classificada.  Contudo, remete os esclarecimentos sobre o assunto, inclusivamente em relação à empresa Txopela, que recebeu fundos da Privinvest, ao Director da Inteligência Económica e co-réu António Carlos do Rosário. 

Confirmou que o réu Teófilo Nhangumele esteve em pelo menos dois encontros do Comando Conjunto, dirigido pelo Presidente Armando Guebuza, onde fez apresentações do projecto da criação da protecção costeira. Contudo, nega ter sido ele a convida-lo, remetendo esse esclarecimento ao co-réu Cipriano Mutota, antigo Director de Projectos no SISE. 

Quanto às viagens de António Carlos do Rosário, Teófilo Nhangumele, Armando Ndambi Guebuza e Bruno Langa à Alemanha e a Abu Dhabi para visitar os estaleiros da Privinvest, confirmou ter autorizado apenas a viagem do primeiro em serviço do SISE, desconhecendo a integração dos restantes que não faziam parte da instituição.

Admitiu que a sua esposa, Ângela Leão, o fez chegar um envelope entregue por Cipriano Mutota mas que, nas suas palavras, não tinha nada a ver com o projecto de criação da Zona Económica Exclusiva. 

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