Malehice clama por sistema de abastecimento de água

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A POPULAÇÃO da sede do posto administrativo de Malehice, no distrito de Chibuto, em Gaza, está privada do acesso à água potável, por nunca ter beneficiado de um sistema de abastecimento deste líquido precioso, facto agravado pela avaria grossa da bomba do fornecedor privado local.

Outro serviço público, reclamado pela população da aldeia mais antiga do distrito de Chibuto, é a expansão de uma energia eléctrica de qualidade, pois, desde que se instalou a linha da rede nacional, a empresa Electricidade de Moçambique (EDM) não colocou mais postos de transformação (PT) em diferentes bairros para também se garantir a iluminação pública.

A água não jorra nas torneiras desde Agosto último, estando o problema longe de ser solucionado, a avaliar pelas dificuldades visíveis apresentadas pelo fornecedor privado de resolver o problema de avaria da sua bomba de captação de água.

Fontes do nosso jornal disseram que, após a referida avaria, a infra-estrutura teria sido cedida a um novo proprietário, que também não está a conseguir resolver o problema, mas que a população não se sente com legitimidade de esboçar alguma reclamação, perante um fornecedor privado.  

A situação é vista ainda como muito grave, por ocorrer no bairro onde nasceu o antigo Presidente da República Joaquim Chissano, em que a população local não tem outra opção que não seja percorrer vários quilómetros em busca da água, nos bairros mais afastados daquele posto administrativo, e com enormes enchentes de permeio.

Falando à nossa Reportagem, Clara Uqueio, moradora do Bairro-1 de Malehice, classificou a situação de caótica, pelo facto de já passarem cerca de três meses sem quaisquer soluções de reabastecimento de água. Referiu que um único sistema em funcionamento, também privado, está longe de responder à demanda.  

Mesmo não tendo acesso à água, os consumidores que têm contrato de fornecimento com o privado que já não responde à demanda dizem que continuam a receber facturas, e quando procuram reivindicar o seu direito são ameaçados de retirar as torneiras e contadores instalados nas residências.

“Somos obrigados a pagar facturas de água que não consumimos e quando reclamamos dizem que vão nos remover as torneiras. Pedimos ajuda ao Governo para ver se se pode minimizar esta situação, através da construção de um sistema de abastecimento de água. Com a intervenção das nossas autoridades, acreditamos que as coisas podem ser resolvidas”, apelou Clara Uqueio.  

Carmona Vebane, também moradora da Aldeia Comunal 7 de Setembro, nome pelo qual ficou baptizada a aldeia-sede do posto administrativo de Malehice, também se sente agastada com a falta de água.

“Só temos alguns sistemas privados que não estão a conseguir abastecer todas as famílias. Não estamos a ver a acção do Governo aqui na nossa comunidade, sentimo- nos esquecidos desde a fundação desta aldeia”, referiu, acrescentando que já tentaram, por várias vezes, apresentar as suas inquietações às autoridades competentes, mas nunca foram ouvidas.

Criada em 1976, Malehice é a mais antiga aldeia comunal do distrito de Chibuto. Foi concebida com quatro bairros, mas, actualmente, conta com mais um, por força da expansão. Destes cinco bairros, estima-se que cerca de 75 por cento da população não têm acesso à água. Para se abastecer, a população tem recorrido às aldeias vizinhas como Mutxuquete e Aldeia IV Congresso, em Mabunganine.

Outra preocupação apresentada pela população de Malehice está relacionada com a falta de energia eléctrica de qualidade, facto que também contribui para o atraso do desenvolvimento da região.

Os residentes contam que a linha da rede eléctrica nacional está instalada desde os finais da década de 80, mas que de lá a esta parte nunca mais foram colocados mais postos de transformação (PT) para garantir energia de qualidade a bairros mais distantes, pedindo, com urgência, que a Electricidade de Moçambique estenda a sua mão caridosa para esta população.

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