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Sexta-feira, 1 - Julho, 2022

Mecanização agrícola aumenta produção do arroz em Nicoadala

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A MECANIZAÇÃO agrícola reintroduzida há três anos no distrito de Nicoadala, na província da Zambézia, está a contribuir para o aumento da produção e produtividade do arroz, bem como para a redução de custos no amanho de terras. Entretanto, gestores e proprietários de parques de máquinas não estão a conseguir dar resposta às solicitações dos agricultores para a prestação de serviços de lavoura e gradagem nos seus campos agrícolas, localizados no regadio de Mucelo e não só.

Entrevistados há dias pela nossa Reportagem, os agricultores dizem que a mecanização está a trazer muitas vantagens no aumento das áreas de cultivo, produção e produtividade, ao mesmo tempo que reduziu os custos do tratamento das terras que era feito por sazonais.

Inácia Nicoadala, 43 anos de idade, é funcionária do Estado, mas também abraçou o agricultura para aumentar os seus rendimentos. Possui uma área de cinco hectares que nunca conseguiu explorar na totalidade devido ao trabalho manual considerado de muito oneroso.

De forma geral, muitos produtores agrícolas que estão a trabalhar na região vivem em Quelimane. No período de pico de trabalhos de lavoura e gradagem que vai de finais de Outubro a Dezembro, se vêm obrigados a percorrer distâncias de setenta quilómetros de ida e volta por dia aos  seus campos de produção.

Para além dos custos com o transporte têm que pagar valores diários ou “ajustes” com homens e mulheres que trabalham nos seus campos.

Segundo Inácia Nicoadala, que produz arroz há dez anos na região de Mavenda, a enxada de cabo-curto está a passar para a história dada a adesão dos agricultores à mecanização.

Na última campanha, Nicoadala conseguiu colher setenta sacos de arroz numa área de três hectares, quantidades que serviram para alimentar a sua família, oferecer a amigos, sementeira para esta safra e comercialização. Devido ao facto, diz estar apostada em aumentar a sua área, produzir e criar a sua própria marca ou seja, “Arroz Inácia”.

Diz que nos três hectares investe apenas 12 mil meticais e quando o trabalho é feito manualmente o valor triplica. “Com o tractor, o trabalho é feito apenas em horas e pouco dinheiro de passagens e trabalho manual que é muito oneroso”, disse.

Outro agricultor que conversou com a nossa Reportagem foi Gomes André. Tem 51 anos de idade e produz arroz e tubérculos. Considera que a mecanização trouxe vantagens para os produtores. Conta que antes da mecanização gastava, por campanha agrícola, entre 15 e 20 mil meticais, mas agora apenas 4500 meticais e em dois dias todo o trabalho que levava mês e meio fica pronto.

RESPOSTA LIMITADA

A mecanização agrícola é um bom negócio mas, mesmo assim, não tem conseguido dar resposta a todas as solicitações para lavoura e gradagem. Quem assim afirma é Alfredo Ramos, 55 anos de idade e gestor do parque de máquinas em Mucelo. Diz que da última campanha agrícola à presente se regista maior adesão dos produtores agrícolas à mecanização porque já há, no seu seio, uma consciência de que o aumento da produção e produtividade não deve dispensar aquela tecnologia, embora hajam outros factores como semente de qualidade e assistência aos produtores.

Ramos afirma que a mecanização está a revolucionar a agricultura no seio das comunidades. Contudo, diz que há trabalho que deve ser feito pelos extensionistas junto dos produtores para desconstruir a ideia de que cultivar arroz é desperdício, pois, de acordo com as suas palavras, se um produtor conseguir entre 600 e 700 quilogramas pode alimentar a sua família. No entanto, coloca o acento tónico na questão de transferência de tecnologias.

Para além de prestador de serviços na mecanização agrária, Ramos é também produtor e proprietário de uma fábrica de processamento de arroz. Já criou a sua marca que está a ser comercializada no mercado nacional. Trata-se do “Arroz Dona Ruquia” que está a ser comercializado na cidade de Quelimane.

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