Pobreza afecta 70 por cento de mais de seis milhões de habitantes

0

A província da Zambézia apresenta indicadores socioeconómicos preocupantes decorrentes do alto grau de pobreza das famílias que afecta a qualidade de vida de 70 por cento dos mais de seis milhões de habitantes.

Os sectores mais críticos são do acesso a água potável, educação, habitação e saneamento básico, quer na zona urbana, quer na rural, conforme os resultados do Inquérito ao Orçamento Familiar (IOF) de 2019/2020 apresentados esta terça-feira, na cidade de Quelimane.

Os dados indicam que 60 por cento da população da província não tem acesso ao saneamento básico e, em consequência, fazem as suas necessidades fisiológicas ao ar livre, o que constitui um atentado à saúde pública.

O delegado do Instituto Nacional de Estatísticas (INE), na Zambézia, Cristóvão Muaia, disse que apesar dos investimentos feitos pelo governo e parceiros há muitas famílias que enfrentam sérias dificuldades para ter acesso a água de qualidade para melhorar o seu estado de saúde.

O INE trabalhou, neste inquérito, com 1.623 agregados familiares previamente escolhidos e os resultados mostram que há muitas áreas que devem merecer muita atenção em termos de formulação de políticas públicas na vertente redistribuitiva. Para muitas famílias, a habitação é muito precária e ficam expostas ao sol, chuva e outros fenómenos climatéricos que agudizam por si o seu estado de vulnerabilidade.

No diz respeito ao aspecto financeiro, o INE, na Zambézia, fala de progressos mas não deixou de indicar que os rendimentos financeiros por família continuam extremamente baixos em relação à média nacional.

Cristóvão Muaia diz, por exemplo, que a renda per-capita familiar passou dos 800 meticais para cinco mil meticais anuais e, ainda assim, está longe da média nacional de oito mil meticais por ano.

Informações em nosso poder indicam que a pobreza, na província da Zambézia, continua extremamente violenta, visto que está na ordem de setenta por cento, ou seja, em cada cem pessoas setenta são pobres.

As autoridades de estatísticas sugerem mais investimentos públicos e de parceiros para inverter a situação, o que pode melhorar as oportunidades dos cidadãos em ter uma vida melhor.

Entretanto, aqueles órgãos de produção de estatísticas dizem que já estão a preparar um novo inquérito ao orçamento familiar. A formação dos inquiridores inicia ainda este mês de Novembro e o trabalho no terreno está previsto para Janeiro de 2022. Os resultados podem ser ainda piores se se considerar que em 2020/2021 a economia rural ficou severamente afectada pela pandemia do novo coronavírus.

+ posts

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.