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Sexta-feira, 1 - Julho, 2022

Belas Memórias: Fazer recuar ponteiros de um relógio!

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ANABELA MASSINGUE – (anmassingue@gmail.com)

É uma missão impossível. O desejo até pode não faltar para muitos, sobretudo na estação do ano que atravessamos, o Inverno, sempre que o assunto é se separar do ambiente quente dos lençóis e mantas para se fazer à estrada para mais um dia de trabalho ou de aulas.

O Zezito, garoto do meu bairro, foi sempre um menino das madrugadas, pois o seu horário da escola, nos últimos anos, sempre foi matinal.

A chegada do Inverno não o incomodou porque, na verdade, ele já estava habituado mas, nos últimos dias, os ponteiros do relógio parecem correrem mais rápido que a alvorada porque é no meio da escuridão que ele deve contar os passos, em busca do meio de transporte.

Mas não é somente por causa do nascer tardio do sol que ele se inquieta. Inquieta-se igualmente com o facto de ter que sair mais cedo por conta do congestionamento que tende a assumir contornos alarmantes.

“Até parece que a subida dos preços dos combustíveis não têm impacto no bolso dos donos das viaturas. Ao invés de diminuir, o número de viaturas na rua parece estar a aumentar!”.

É que se antes partia de casa às 5.30 horas, agora tem que passar a sair mais cedo, o que equivale a dizer estar na paragem às cinco da manhã para nunca falhar aos seus compromissos diários, tudo por causa do congestionamento.

Assim, mais do que nunca, ele deve abandonar as mantas às 4.00 horas, de modo a estar na estrada até às 5.00 horas, porque não há alternativa a isto. Ou é assim ou perde as aulas. A melhor alternativa é recuar o tempo de saída de casa para não comprometer o dia.

O tráfego está cada vez mais intenso e já ninguém tem o domínio sobre os pontos e momentos críticos. Cada dia, todos os lugares vão-se tornando críticos. Não há condutor de carro particular, autocarro, semicolectivo de passageiro ou mesmo camião de carga que conheça a melhor hora para se fazer à estrada senão apostar na madrugada, mesmo quando a sua hora de trabalho ou de escola, no destino, for para mais tarde.

Antes, o momento era crítico começava depois das 8.00 horas. Hoje, viajar, sobretudo na Estrada Nacional número 4, tornou-se um problema bicudo. Nesta via, particularmente, os camiões de alta tonelagem disputam, a qualquer momento, o espaço com viaturas, transportando estudantes e trabalhadores, o que antes não acontecia, com a interdição de circulação dos veículos de longo curso, na considerada hora de ponta, até um pouco antes das 8.00 horas.

Os agentes da Polícia fazem o seu máximo, mas o impacto desse trabalho só é visível próximo dos grandes entroncamentos onde se posicionam porque alguns metros depois, a anarquia dos condutores volta a complicar o curso normal que as autoridades policiais pensam ter garantido.

É deveras desgastante, mas é o que diariamente marca a rotina do Zezito e de outros moradores do Município da Matola que procuram ganhar a vida na capital.

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