Belas Memórias: O regresso para o Natal!

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ANABELA MASSINGUE-anmassingue@gmail.com

COMEÇOU a fase derradeira da romaria de emigrantes da África do Sul às suas zonas de origem, sobretudo para as províncias da zona Sul do país, de onde sempre foi originária grande parte da mão-de-obra, na história do trabalho migratório.

É um regresso que gera sentimento de expectativa e satisfação, tanto da parte dos que viajam, como dos seus dependentes, mas com um sabor amargo para os que viajam, pois, nalgum momento, passam por situações de sacrifício.

É que quando chega esta altura do ano, as companhias dão aos seus trabalhadores uns dias de férias para reverem a família e junto dela passarem as festas do Natal. Consequentemete, todos os caminhos vão dar à casa e consigo o martírio das enchentes, que começa quando se aproximam da fronteira entre os dois países.

A azáfama e o sacrifício começam a montante e, posteriormente, a jusante, sobretudo no distrito de Moamba, concretamente no posto administrativo de Ressano Garcia.

Episódios relativos à última quadra festiva na província de Maputo mostraram concidadãos que passaram mais de 72 horas nas filas, um sofrimento passado na tentativa de quererem alcançar o ponto de um ou de outro país e que resvalou também para os que, internamente, procuravam visitar os seus ou regressar de Moamba e Ressano Garcia e vice-versa.

O regresso dos emigrantes é também caracterizado por avarias constantes de viaturas ao longo das vias, na sua maioria com mercadoria, o que se torna denominador comum, principalmente na Estrada Nacional número quatro EN4 e também ao longo da EN1, no sentido África do Sul-Moçambique.

Nalgum momento as mercadorias são descarregadas e espalhadas ao relento, independentemente do bom ou mau manuseamento, expostas às intempéries típicas da época chuvosa que caracteriza esta fase do ano.

É que os viajantes preparam-se até ao pormenor, seguindo fielmente o perfil dos emigrantes em tempos de crise. Trazem um pouco de tudo, desde vestuário, bebidas, produtos alimentares, de higiene, móveis e até bidões sem conteúdo, pois uma vez em casa, eles têm utilidade.

Há quem questione e assume isso desnecessário, uma vez que tudo o que se vende na África do Sul já se pode adquirir no solo pátrio, para além de que grande parte dos artigos que de lá trazem e que estão disponíveis em Moçambique são originários daquele país.

Particularmente, vejo este sacrifício no facto de, provavelmente, nem todos os emigrantes vistos cheios de tudo na via pública viverem em zonas com acesso aos mercados. Fazendo bem as contas, há que racionalizar os custos, comprando ao pormenor e embalar tudo num meio de transporte, de uma só vez, sob risco de guardar dinheiro para Moçambique e não poder comprar o necessário, na sua comunidade.

A este andar, o perfil do emigrante será sempre este, enquanto não houver condições nas vias de acesso, para as mais diversas comunidades, sobretudo as do meio rural.

Que este ano haja maior atenção e celeridade na resposta ao fluxo migratório e rigor no controlo do teste da Covid-19, para um regresso triunfal.

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