NESTA época seca é só poeira mesmo até parece que alguém está a “amarrar a chuva”. Quando vem as nuvens carregadas, são empurradas para longe e ficamos apenas com a poeira.
Confesso que não gosto nada do que está a acontecer. Sim, é horrível. Infelizmente, também as secas começam a ser um fenómeno quase tão regular e as estações plenas de chuva cada vez mais irregulares.
As secas tendem, isso sim, a repetirem-se, sem exagero, a cada par de anos, daí que temos que começar a prepararmo-nos da melhor forma para enfrentar as dificuldades que dela advém.
A agricultura de subsistência da região é a que mais sofre, prenúncio de fome. A escassez de alimentos deverá piorar ainda mais devido às inundações recentes que devastaram as colheitas de pequenos agricultores familiares.
O impacto socioeconómico desta seca sobre as populações poderia ser menor se as zonas áridas e semi-áridas possuíssem meios adequados de prevenção, protecção e distribuição eficiente de recursos hídricos, conservação do solo, gestão de informação hidrometeorológica, de “stock” e armazenagem de cereais e alimentos.
Há muitas coisas que foram feitas para minimizar o impacto do flagelo climático, mas falta um pouco mais de energia, de auxílio para o longo prazo, soluções de continuidade e não do tipo intermitente, emocional e desregrado que por vezes assistimos acontecer, com uma lista das verbas enterradas à toa.
Agora mesmo há este clamor, este interesse pelas áreas áridas e semi-áridas até com alguma paixão, mas basta chover um pouco, vai começar a desacelerar.
O problema das zonas áridas e semi-áridas não é tanto de escassez de água, mas da sua distribuição entre zonas de grande abundância e outras de escassez, sendo necessário, por isso, instrumentos para o acesso racional, o que evitaria os impactos desastrosos das enchentes e, ao mesmo tempo, melhoraria em muito o seu uso. Que tal se olhássemos para um futuro em que também são postos em marcha mecanismos financeiros de emergência para superar momentos de crise?
E não é porque estas terras são de todo inúteis. Vejam a diferença que faria, por exemplo, uma barragem em Mapai. Seria tornar fecunda uma área cuja poeira esconde potencialidades imensuráveis. Seria a terra misturada com a água para as transformar em riqueza.
A construção da Barragem de Mapai, no rio Limpopo, província de Gaza, revela-se crucial também para pôr fim ao problema de inundações cíclicas e para a melhoria da gestão das áreas irrigadas nos distritos de Chókwè e Xai-Xai.
Saber que este assunto não está esquecido e consta das prioridades do governo é uma lufada de ar fresco em plena época seca, pois, é reconhecida a diferença que uma infra-estrutura do género faria na região.
Os estudos de viabilidade indicam que a infra-estrutura serviria para a mitigação de desastres, uma vez que ajudaria a reduzir o impacto das secas e cheias, dois problemas recorrentes no vale do Limpopo.
O que se pretende é que a mobilização de financiamento seja de todo célere e que em breve se possa anunciar para todos nós o arranque dos trabalhos.
A gestão integral das águas na bacia de Limpopo é crucial para que seja possível produzir alimentos nas duas épocas agrícolas em toda a extensão.



