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Sexta-feira, 1 - Julho, 2022

Cá da Terra: Quem não arrisca não petisca

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“ABRAM o livro na página…”. No imaginário popular, essa é, provavelmente, uma das frases mais associadas ao trabalho dos professores e, sobretudo, a aprendizagem dos alunos. É, por isso, compreensível, que muitos educadores tenham estabelecido uma relação de amor e ódio com os livros didácticos.

Os livros, ao longo da história do processo educativo surgem como um meio para gravar  o conhecimento e passá-lo de geração em geração, por isso mesmo não deve ser banalizado.

Este assunto foi por demais escalpelizado, nas últimas semanas, a ponto de o “disco” estar por demais riscado.

Mas a realidade do nosso processo educativo, este ano, não deixa margens para não tecer comentários. Muitos o fazem sem ter a possibilidade de serem ouvidos. Espero que não seja o caso.

Passa um semestre. O que falta para o fim do ano lectivo é quase nada. O livro, tomado como base de organização e da rotina da sala de aula ainda não chegou às escolas na forma como conhecemos. São muitos os constrangimentos, todos nós reconhecemos, mas o maior deles é que até aqui não ariscamos, colocando a indústria nacional a ver os “navios a passarem”.

Assistimos que os professores gastam boa parte de seu tempo, extraclasse, a planear as aulas, muitas vezes a pesquisar e desenvolver materiais extras para suprir o atraso dos livros didácticos utilizados na sala de aula. Fazer adaptações constantes, faz com que o trabalho do professor se torne penoso e mais difícil.

Com a dinâmica de informações que alcançam pais e alunos, de forma quase instantânea, não há como a escola, lugar de formação e construção do conhecimento, oferecer um material com conteúdos mal elaborados.

Materiais mal elaborados têm dificuldade de captar e cativar a atenção do aluno, pois ele não reconhece no livro o reflexo de sua realidade e linguagem, dificultando o processo de ensino-aprendizagem. Também não atende a capacidade de compreender o contexto de inserção social dos alunos, transmitindo, com maior assertividade, os conteúdos necessários.

A confiança no nosso sistema de ensino deve prevalecer, o que passa, também, pela construção de uma base sólida  de confiança. Essa base sólida é a nossa indústria, com a qual podemos manter uma base de interacção quase diária, capaz de identificar e corrigir erros atempadamente.

A indústria gráfica, na verdade, é o fim da linha, mas muito importante para todo sistema de produção do que é nosso, do aluno, do professor, do conhecimento.

O livro é pertença do povo, por isso mesmo, não devemos nos distrair do objectivo de prover conhecimento ao nosso povo.

Como todo o material didáctico, o livro é criado por um ou mais autores que contam com a ajuda de uma equipe de pesquisadores, consultores e colaboradores. Depois de escritos são revistos, contemplando uma avaliação pedagógica e posterior aprovação por uma comissão técnica, por isso a expectativa que existe sobre os resultados do inquérito mandado instaurar.

Certamente, este inquérito não vai responder a uma questão tão fundamental, tal e qual idealizada, que se prende com o porquê de não se ter apostado na indústria nacional.

Apostar nas capacidades internas, é certamente uma melhor aposta para prevenir constrangimentos no futuro. É desta forma que temos de equacionar as nossas decisões para que os livros didácticos continuem a ser  uma ferramenta ideal para o professor executar o seu ofício com maestria.

O livro didáctico enfrenta, nos dias que correm, muitos desafios, com custos, interesses políticos e ideias sobre como (ou não) abandonar a India e o Vietname, na impressão dos manuais.

O mais importante de tudo é que possamos caminhar, tal como fizemos até hoje, no objectivo de trazer mais conhecimento à família escolar.

As escolhas deverão ser feitas com muito cuidado e responsabilidade para que o livro contribua na formação de uma identidade nacional na escola. A criação desta identidade deve estar em sintonia com uma cada vez maior intervenção da indústria gráfica nacional.

A preocupação central da sociedade e do Estado é construir uma educação básica de qualidade, sendo por isso imprescindível aprimorar a política nacional do livro. Para isso também é preciso aprofundar o processo de avaliação permanente da produção disponível no mercado.

É preciso ousadia, agir, correr riscos, para não perdermos a oportunidade de garantirmos o objectivo de prover conhecimento ao nosso povo.

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