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Sexta-feira, 20 - Maio, 2022

DE VEZ EM QUANDO: Hambanine* !

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Alfredo Macaringue

SINTO uma enorme satisfação em ter chegado até aqui, outra vez. Tenho feito um movimento cíclico anualmente, publicando regularmente minhas crónicas neste espaço que o jornal “Notícias” me reserva. Tem sido ao mesmo tempo um exercício doloroso, mas no fim das contas dá-me um enorme prazer por saber que você está desse lado para partilhá-lo. É isso que me mantem vivo. De pé. E dá sentido a minha presença semanal.

Porém, hoje  venho despedir-me temporariamente, a ver se aproveito este último mês do ano para descansar um pouco. Tenho, todavia, a consciência de que durante a quadra festiva não haverá mesa farta para muitos de nós, que somos a maioria, mas não deixaremos de festejar com aquilo que tivermos. O mais importante é que nos tenhamos esforçado durante todo este ano, em fazer alguma coisa, mesmo assim que não deu em nada.

Quero ainda aproveitar este dia para manifestar a minha tristeza profunda, por olhar aqui dentro do meu país e perceber que a corrupção ainda condiciona as nossas vidas. Há aqueles que, aproveitando-se dos cargos que ocupam, delapidam sem piedade os cofres que têm à disposição. Cofres que são de todos nós, mandando à fava o povo, num processo que Samora Machel já previa que iria acontecer algum dia, e condenava.

Fiquei muito triste pois, quando vi uma reportagem feita em relação a despedida de Angela Markel, chanceler alemã que ficou 16 anos no poder a trabalhar para o seu país de forma abnegada, perguntei: “porque é que nós também, não podemos construir o nosso país respeitando todos os princípios de ética e integridade, como o fez essa mulher que é hoje considerada  (A mulher mais poderosa do Mundo)”.

Mesmo tendo condições para viver na opulência, não foi isso que fez. Mesmo tendo condições de se vestir com requinte e brilho, Markel sempre trajou roupas modestas. Dispensou mordomias que o país mais poderoso da Europa podia lhe oferecer. O que ela queria era trabalhar para tornar o seu país ainda mais poderoso. Aliás, já havia respondido o seguinte, quando lhe perguntaram porque é que anda sempre vestida com o mesmo tipo de roupa: “eu não sou modelo, sou funcionária do Estado”.

Quem me dera o meu país ter dirigentes aos mais diversos níveis, dedicados ao trabalho, ao desenvolvimento, sem pensarem no luxo, esse mesmo luxo que leva-os a roubar para construir e manter. Infezmente essa mentalidade de trabalho é ignorada, por isso temos um Moçambique com problemas de diversa natureza. Com a pobreza indisfarçável. Talvez depois destes elogios todos dispensados a Angela Markel, que ficou 16 anos no poder sem qualquer nódoa, no futuro teremos dirigentes que lhe vão seguir a peugada. Que bom que assim fosse!

A Luta Continua!

* Hambanine, termo changane que significa “adeus”

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