ANABELA MASSINGUE
MAIS do que simples sonhadoras, apreciadoras de contos de fada, de histórias de aventuras e também de amor, do género namoraram, casaram-se e foram felizes para sempre, as crianças têm visão.
É verdade que algumas agem precipitadamente querendo viver o futuro no passado, negando que o que os seus avôs e progenitores são ou têm hoje é fruto de anos de sacrifício, entrega, dedicação, momentos altos e baixos, privações e perseverança. Mas não é dos jovens do imediatismo que pretendo falar nestas linhas. É, sim, de uma menina que há precisamente um ano, quando tinha 18 anos, foi estagiária na Redacção do Notícias, para onde foi em busca do BÊ-A-BÁ de escrever notícias. Ela chegou a esta casa, vinda da Escola de Jornalismo, por onde muitos fazedores do matutino Notícias passaram.
Por alguns meses andou pelas ruas buscando histórias, à semelhança do que os repórteres fazem para provar, na sua escola, como conciliar a prática e a teoria, lá aprendida, sobre estas coisas de dar notícias aos outros, usando a escrita.
Terminado o seu estágio, no dia da despedida não poupou as suas lágrimas e não era para menos. Era o fim de uma convivência inter-geracional, marcada por um aprendizado, amizade e muitas estórias divertidas, num ambiente entre uma inocente e colegas mais experientes, longe da sua faixa etária, mas que no final do dia rompiam a barreira da idade, mantendo a camaradagem.

Em jeito de consolação, lembro-me de ter dito a menina Sharlene para enxugar as lágrimas porque o mundo não acabava naquele dia. Disse lhe ainda que mais dias, menos dias, querendo, ela poderia voltar a bater a porta desta casa, já como uma repórter madura… quem sabe?
Lembro-me de ter visto a menina a acenar com a cabeça, concordando com o recado, mas o que não me vinha em mente é que pudesse estar a levar à sério pois os sonhos, em pessoas da sua idade, costumam ser voláteis, com tanta coisa que a juventude deseja ter em tão pouco tempo.
A sua saída da Joe Slove não foi para pensar no que fazer, mas sim para municiar-se e regressar, mas já com outro foco. Longe do bloco de notas e caneta, mas de máquina fotográfica ao colo.
Por agora só resta desejar boas vindas a esta menina e única mulher do click que a casa passou a ter. Ela pode ter regressado para fazer história, caso se identifique com a nova causa, pois desde a fundação do jornal não há registo (tanto de fonte escrita, como oral) de algum dia ter passado por aqui algum repórter fotográfico do sexo feminino.
Foto: Féling Capela


