Dialogando: A hipocrisia dos norte-americanos

0
62

Mouzinho de Albuquerque

DIZ-SE que os bons exemplos vêm de cima, numa alusão aos detentores de cargos de decisão, do topo à base. Em outras palavras, são exemplos que devem servir para promover, efectivamente, boas posturas dos demais, perante várias situações que apoquentam a sociedade.

E por falarmos de cargos de decisão, dizer que durante o mandato do ex-Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), o “fogoso” Donald Trump, aconteceram muitas situações anormais na sociedade norte-americana, como é o caso da tendência do aumento do sentimento racista dos brancos contra negros. Foi nesse mandato que o afro-americano George Floyd morreu assassinado por um polícia branco, provocando manifestações de repúdio jamais vistas em todo o mundo.

O que espantou, na altura, é que Donald Trump não actuou ou praticamente não teria feito nada em termos de condenação veemente, na qualidade de dirigente da nação, aquele acto hediondo da Polícia, isto é, não deu exemplos dos que já referimos. Contudo, apesar de ele (Trump) ter deixado o cargo há sensivelmente um ano, continua tendo uma presença permanente na política daquele país.

Do que se sabe é que ele continua a protagonizar escândalos com as suas declarações e ainda mobiliza seus seguidores. As suas palavras tem consequências na terra do Tio Sam. Por isso, quem pensou que Joe Biden apagaria esse pesadelo da presidência de Trump, pelo menos até agora, terá subestimado as raízes profundas que sustentam o chamado Trumpismo nos EUA.

É que, com a vitória de Biden e a primeira vice-presidente afro-americana, Kamala Harris, e tendo em conta o que prometiam durante a campanha eleitoral, deixava grandes expectativas da sua governação de que daria outra imagem aos EUA perante o mundo, em relação à de Donald Trump, quanto à resolução dos problemas que ele (Trump) não conseguiu, como este de racismo prevalecente ou secular na sociedade norte-americana, que pelo contrário incentivou.

Se bem que acreditamos que pode ser cedo para se inverter todo o cenário governativo deixado pelo antigo inquilino da Casa Branca, na sociedade norte-americana, porém, há coisas que não parece justificarem a sua ocorrência com a nova administração do país. Por exemplo, as imagens horríveis que circularam recentemente no mundo dos imigrantes haitianos a serem maltratados pelos polícias de guarda fronteiras dos EUA, na altura da sua repatriação forçada, podem demonstrar que práticas racistas continuam uma constante nos Estados Unidos da América, mesmo com a presidência de Joe Biden.

Aliás, não se esperava que imagens do género, que mancham a sua governação, voltassem a ser vistas. Enfatizando, parece prevalecer o sentimento de racismo. Para os analistas, o que transpareceu é que os polícias actuaram com preconceitos racistas do que qualquer outra justificação para a deportação dos haitianos.

Portanto, se contávamos que com o novo poder viessem surgir algumas mudanças profundas de comportamentos naquela nação, no que se refere ao combate ao racismo e outros males e respeito pelos direitos humanos, lamentavelmente concluímos que as atitudes e tendências erráticas do anterior governo, neste caso de Donald Trump, ainda tendem ou permanecem.

Até porque o tratamento desumano dado aos imigrantes negros haitianos já levou à demissão do enviado especial dos Estados Unidos da América a Haiti, Daniel Foote. Na carta de demissão, Foote disse que não podia seguir vinculado a decisões desumanas e contraproducentes de deportar milhares de haitianos que procuram melhores condições na terra do Biden.

O líder da maioria no Senado dos EUA, o democrata Chuck Schumer, também já instou ao Presidente Joe Biden, a encerrar as deportações em massa desses imigrantes e chegou a chamar essa política de atitudes odiosas, detestáveis e xenófobas, típicas da administração de Donald Trump, que não respeitam as leis de refugiados do país. O próprio Joe Biden terá reconhecido esses maus tratos e mandado apurar as denúncias. Claro que não estamos a defender a imigração ilegal, e muito menos nos move qualquer sentimento de discórdia, sobre que tipo de governação que os norte-americanos têm ou devem ter, mas, cedo ou tarde, mesmo com a hipocrisia dos dirigentes dos EUA, o tempo e a história hão-de acabar por estar do lado dos que advogam e sempre advogaram o tratamento igual para negros e brancos, na violenta sociedade norte-americana.

+ posts

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here