Dialogando: O nosso sistema educativo!

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Mouzinho de Albuquerque

MAIS um ano lectivo está prestes a terminar. E quando é assim, verifica-se uma azáfama invulgar, não só dos alunos, como dos pais e encarregados de educação, na perspectiva de se colherem bons frutos, nalguns, senão na maioria dos casos, através de práticas ilícitas condicionadas pela “podridão” do nosso sistema educativo.

Hoje em dia é preciso pagar a valer aos professores e outros funcionários da educação para transitar de classe. É neste período que a corrupção se acentua no nosso sistema educativo. É a tal “podridão” de que falamos.

O actual contexto do nosso processo docente-educativo impõe-nos desafios muito exigentes, que demandam de investigação científica e inovação para solucionar problemas que hoje temos neste processo e no combate a factores externos da sociedade que influem negativamente no comportamento dos estudantes. Não é por acaso que dentro de todos os campos de investigação, a orientada aos processos educativos de aprendizagem e formação de valores constitui uma das mais importantes e por isso o país dá prioridade.

Mas, se a formação de quadros, por parte do sector da educação, é um tema de vital transcendência desde o qual se pode contribuir para o desenvolvimento, então o professor, sendo um dos principais actores dessa formação, é chamado a ser inovador educativo a partir da sua acção quotidiana, o que passa pelo reconhecimento, a partir dele próprio, de que para obter os resultados que o país precisa, é vital que as acções que leva a cabo na escola tenham de facto impacto positivo na qualidade dos processos educativos na base. De que nunca haverá êxito no cumprimento da sua missão educacional, enquanto envolver-se na venda de notas ou através de favores sexuais ou enquanto cobrar aos alunos um valor para a realização de um teste e pedir que lhe paguem bebidas alcoólicas numa barraca.

É que a corrupção no sector da educação está espalhada e pesa principalmente sobre crianças, raparigas, adolescentes e pobres. Ela tem também impacto negativo sobre o desenvolvimento. As direcções das escolas de vários níveis de ensino e os professores entram facilmente nos esquemas de corrupção a ponto de todo o momento exigirem “contribuições” monetárias para o pagamento disto ou daquilo.  

O resgate da soberania da nação passa pelo reconhecimento dos valores de auto-estima como moçambicanos, um passo importante e decisivo para a conquista da nossa dignidade na educação, claro, sem que os nossos filhos honestos tenham que voltar a sofrer humilhação nas escolas por causa da institucionalização da corrupção na educação, envolvendo professores, alunos, alunas, encarregados de educação, gestores e ouros funcionários, como está a acontecer.

Hoje como ontem, em um contexto de crescente complexidade da nossa vida, impõe-se que a educação seja uma ferramenta genuína para o domínio da ciência, com vista a assentar ou consolidar as bases do nosso desenvolvimento, que passa também pela actuação séria e responsável da inspecção e fiscalização do funcionamento do sistema da educação combatendo o negócio de passagens de classe. Que saudades do tempo da educação revolucionária!

Nunca teremos um sistema educativo inovador para o bem de todos os moçambicanos, enquanto por exemplo, em Nampula, um aluno da décima classe para transitar  com 12 ou 13 valores será exigido 5 a 10 mil meticais, porque alegadamente é com esses notas que o estudante é admitido para frequentar cursos de formação de professores primários no Centro de Nacololo e noutros da província.

O negócio de passagem de classe com aquelas notas ou mais está na “moda” nas escolas secundárias de Nampula, principalmente quando chega o fim do ano lectivo. A corrupção constitui um sério obstáculo para o desenvolvimento. É triste que a sua existência tenha também a ver com a falta de seriedade na inspecção, fiscalização e controlo do nosso sistema de educação.

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