Limpopo: Desinformação digital

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César Langa(cesarlanga@yahoo.com.br)

QUINTA-FEIRA da semana passada ocorreu o apagão de 13 emissores analógicos localizados em Namaacha, Xai-Xai, Chókwè, Maxixe, Vilankulo, Beira, Quelimane, Tete, Ilha de Moçambique, Nacala, Pemba, Lichinga e Cuamba. Era a continuação do processo de migração digital que havia começado no dia 20 de Setembro e que tinha abrangido três emissores das cidades de Maputo, Nampula e Tete, agora perfazendo um total de 16 emissores que devem ser desligados nesta primeira fase.

As autoridades das telecomunicações, no país, garantem que a instalação da rede de emissores de radiodifusão com um novo formato digital, em substituição do sistema analógico, decorre a um ritmo satisfatório, estando a sua conclusão prevista para o dia 31 de Dezembro do ano em curso, com o desligamento dos últimos 14 emissores localizados nos distritos de Massinga, Marromeu, Zobué, Songo, Monapo, Ribáuè, Namialo, Ilha do Ibo, Chiúre, Mueda, Mandimba, Majune, Ngauma e Lago. 

Entretanto, esta garantia dada pelas autoridades, na pessoa do Ministro dos Transportes e Comunicações, Janfar Abdulai, não me parece que tenha o correspondente eco no seio das populações, que têm estado a passar por momentos de muita agitação, vendo-se a braços com uma possível produção de um enorme lixo electrónico, por não saberem como aderir ao novo formato, que passa pela aquisição de conversores do sinal digital de radiodifusão, apesar do ministro ter anunciado a sua disponibilização a um preço bonificado e em quantidade suficiente, para que o processo seja  efectivamente inclusivo.

O que se tem notado é que, tal como é a característica dos moçambicanos, muitos esperaram pela última hora para aquisição de conversores, facto que provoca uma enorme demanda, sufocando o mercado, num processo que ameaça a especulação de preços, tal como já se propala.

Mas o que me espantou foi ter ouvido um dirigente, falando num determinado fórum, a dizer, com todas as letras, que o apagão analógico significava o fim do uso de antigos televisores, vulgos “corcundas”. E passei a perceber que a preocupação de muitas pessoas não é apenas a aquisição de conversor, mas de novos televisores, ou seja, pensam na forma de adquirir um plasma para continuarem a acompanhar os acontecimentos da aldeia, do país e do mundo, entretendo-se.

Sendo autoridade reguladora de todo o sistema de comunicações, os gestores destes sectores não devem ser eles próprios a serem traídos por esta onda de desinformação. Não me compete ensinar Pai Nosso ao vigário, mas sugiro que seja necessário se recorrer a diversas formas de publicidade para que as pessoas saibam, efectivamente, em que consiste o processo de migração digital em curso. Por sua vez, os fornecedores de conversores também que façam a publicidade dos dispositivos, desde o modo de aquisição até aos respectivos preços.

Sei que o poder de compra da maior parte dos moçambicanos é sofrível, mas com o conhecimento do preço dos descodificadores pode ser que muitos não se sintam excluídos, como agora se mostra. E os dirigentes, por sua vez, devem ser um pouco mais cautelosos nas suas aparições públicas, porque dizer a um cidadão que o seu televisor “corcunda” já não serve é o mesmo que não jogar limpo(po).

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