ABNER LUCAS
UMA profunda decepção é visível no rosto dos moradores do Bairro Mali, mais conhecido por Santa Isabel. Há anos que aguardam, com paciência cada vez mais escassa, pela tão prometida estrada que deve ligar a zona à Estrada Nacional Número Um.
A obra, porém, nunca saiu do papel. Os residentes vivem de promessas que não se cumprem, alimentando uma frustração que se renova a cada visita de governantes. “É triste”, desabafam sempre que o assunto vem à tona.
Nos últimos meses, contudo, reacendeu-se uma ponta de esperança. Acreditaram que, finalmente, a estrada seria construída em pouco tempo. Alguns chegaram a olhar com optimismo para os enormes buracos que engolem carros, acreditando se tratar de um último capítulo de uma situação constrangedora, digna de ficar eternamente registada nos anais da má gestão.
Mas o tempo passa e nada acontece. Para uma estrada que se prometeu concluir ainda este ano, não há sinais sequer de início das obras. A cada semana que passa a esperança vai-se diluindo, enquanto a promessa de que o orçamento já estava assegurado soa cada vez mais vazia – oxalá estejamos enganados.
O que motiva este artigo vai além da simples não pavimentação da via. O que mais choca é o estado avançado de degradação da estrada, completamente esquecida pelo município de Marracuene.
Recentemente presenciou-se um episódio preocupante: em determinado ponto o areal era tanto que nem veículos mais potentes conseguiam avançar. Surgiu então o oportunismo de jovens que se ofereceram para empurrar carros em troca de dinheiro.
Não se trata de um caso isolado, pois situações semelhantes se repetem com frequência, expondo não apenas o abandono da via mas também a vulnerabilidade de uma comunidade cansada de esperar por dignidade.


