Xigoviya: As Mãos

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A INFECÇÃO pelo coronavírus em crianças é muito preocupante, porque invade uma geração da janela da nossa esperança. Algumas escolas entram em quarentena pelos casos que se detectam e apelam aos pais e encarregados de educação a redobrarem esforços na prevenção da Covid-19, particularmente, nas sucessivas vagas que decorrem. Vale recordar que, anualmente, cerca de três milhões de crianças sofrem de doenças infecciosas, como diarreias, infecções respiratórias agudas e um número significativo vai a óbito, sendo perceptível a importância de se lavar as mãos de forma correcta e com frequência já que tal hábito é eficaz na prevenção de muitas doenças como pneumonia, conjuntivite, meningite, diarreias e, hoje, a Covid-19. De entre várias medidas anunciadas contra a Covid-19, a prática de lavagem das mãos tornou-se numa das maiores armas usadas, condizendo, também com o que as Nações Unidas instituiu em 2008, que foi a adopção do dia 15 de Outubro, como “Dia Mundial de Lavagem das Mãos”. Sendo assim, defendo ser importante que, desde cedo, as crianças aprendam e agreguem no seu dia-a-dia essa prática, sobretudo pelos momentos dificílimos que vivemos devido à pandemia da Covid-19. Penso que as escolas (do pré-escolar, primário e secundário) desempenham um papel relevante na criação de condições infra-estruturais para que tal tenha lugar. Há uma consciência colectiva de que isso não será fácil, pois, a maior parte das infra-estruturas escolares no nosso país apresenta condições precárias de higiene, saneamento e abastecimento de água e não reúne requisitos de protecção e controlo da propagação desta doença. São constrangimentos que o Governo e sociedade civil terão de levar a sério para não hipotecarmos o nosso próprio futuro. Aliás, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), doenças como a diarreia poderiam ser evitadas e reduzidas até 40 por cento, caso todas as pessoas lavassem adequadamente as suas mãos. Se assim fosse, salvaguardar-se-ia o direito de protecção à saúde e das vidas das crianças, jovens e dos professores (as) e respectivas famílias, garantindo, assim, o seu direito à educação. Estratégias educativas podem ser incentivadas nas nossas escolas através da inclusão de conteúdos transversais, como por exemplo, sobre “Quando lavar as mãos”; “com o que lavar as mãos”; “providências a tomar em conta antes da lavagem das mãos”; “por quanto tempo se deve lavar as mãos”, entre outros relacionados. Para além das instituições de ensino, os pais e encarregados de educação igualmente são chamados a desempenhar um papel importante nesse sentido. Podem, em casa, com os seus filhos e educandos, providenciar algumas técnicas simples e brincadeiras divertidas para afugentar várias bactérias, vírus, vermes e protozoários das suas mãos e fazer acreditar os meninos que os vírus invisíveis à olho nu, realmente existem. Os professores e encarregados de educação podem também desenvolver outras tarefas lúdicas para a educação das nossas crianças e jovens. Pode-se usar, por exemplo, o método do “glitter”, que é um produto que funciona como se fossem microorganismos, para mostrar como se espalham facilmente com um simples aperto de mão ou ao tocar-se no rosto ou diversos objectos. O “glitter” é composto por pedaços metálicos de múltiplas colorações, muito usado na decoração corporal ou em trabalhos artísticos diversos. Normalmente enche-se o “glitter” num recipiente e pede-se que a criança mergulhe a sua mão nele para depois tocar no rosto ou em certos objectos. A ideia é fazer com que as crianças percebam como os pontinhos de porpunha se grudam facilmente no corpo e nos objectos, exigindo-se que se lave bem as mãos para deles se livrarem. Pode-se, igualmente, fazer-se com que a criança pegue uma fatia de pão sem as mãos lavadas para depois armazenar o pedaço num saco plástico fechado. Seguidamente, pede-se que ela faça o mesmo já com as mãos lavadas, guardando os dois sacos num intervalo de três a quatro semanas. Elas próprias notarão que a deterioração das duas fatias será diferente, uma vez que a fatia tocada com as mãos não lavadas terá mais mofo e bolor que a outra tocada com as mãos lavadas. Igualmente pode-se usar o método de carimbo que consiste em carimbar o dorso das mãos dos meninos e que quem chegasse ao fim do dia sem a referida marca, ganharia um prémio. Finalmente apela-se à comunicação social (jornais, rádios, televisões e outros) no sentido de ajudar a difundir programas audiovisuais educativos a este respeito. Todos nós somos chamados a travar duro contra este inimigo invisível. As mãos são essenciais para qualquer coisa que fazemos, desde tarefas domésticas até actividades escolares e profissionais. É com elas que podemos escrever, segurar objectos, apertar, sinalizar e tactear.

ARTUR SAÚDE
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