CASAS DE MÃE-ESPERA: Cuidados salvam vida de mulheres e crianças

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OS últimos dias de gestação, o parto e os primeiros minutos de vida do bebé tem-se mostrado cruciais para a sobrevivência materno-infantil, facto que motiva o investimento do sector da saúde no atendimento à mulher e à criança.

O parto assistido na unidade sanitária mostra-se uma medida eficaz para a redução das actuais taxas de mortalidade em crianças e mulheres durante a gravidez e parto. Para as mulheres que vivem longe das unidades sanitárias, as autoridades apostaram na construção de casas de mãe-espera, reduzindo a distância na hora dar à luz.

O distrito de Magude, na província de Maputo, também investiu em acções para a redução da mortalidade materno-infantil, através da provisão de cuidados a mulheres grávidas e crianças abaixo dos cinco anos.

O distrito dispõe de 10 casas de mãe-espera, edificadas nas unidades sanitárias existentes nos postos administrativos de Magude-sede, Mahele, Motaze, Panjane e Mapulanguene.

O acesso a este serviço obedece a alguns critérios, com destaque para a distância que a parturiente percorre para chegar à maternidade, bem como a possibilidade de ocorrerem complicações no parto.

A enfermeira de saúde materno-infantil no centro de saúde de Magude, Mércia Mathe, explica que os cuidados hospitalares têm evitado que muitas mães percam a vida ao dar à luz.

“Toda a mulher que vive longe do hospital pode vir até à casa de espera da mulher grávida, para aguardar pelo dia do parto. Por mês, recebemos dez mulheres vindas de bairros distantes da vila-sede de Magude e que não têm condições de transporte imediato”, conta.

A profissional alerta para o risco de complicações por falta de assistência na hora do parto, incluindo hemorragias e asfixia do bebé, esta última com impacto na sobrevivência e desenvolvimento da criança.

“Existe um risco da gestante desenvolver problemas de hemorragia pós-parto ou o bebé ter complicações por falta de assistência nos primeiros minutos de vida. É, por isso, importante que as mulheres venham à casa de mãe-espera para serem atendidas condignamente”, sublinhou.

Outra complicação possível é a subida da pressão arterial, que atingindo valores anormais, poderá levar a morte da mãe ou do bebé. Por exemplo, Latifa Reginaldo, 27 anos, residente em Mawandla, ficou três semanas sob cuidados médicos por causa de  hipertensão arterial.

A gestante chegou ao hospital com dores uterinas e a pressão arterial mostrou que havia risco de uma pré-eclâmpsia, tendo sido internada para monitoria na unidade sanitária.

Latifa conta que com o apoio das enfermeiras a sua pressão ficou controlada. “Eu não estava a descansar o suficiente em casa, mas agora me sinto melhor e pronta para ter o bebé”, disse.

ANA RITA TENE
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