Terça-feira, 10 Março, 2026
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Quebrar tabus para estimular a educação menstrual

Por Jornal Notícias
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ETELVINA DOS SANTOS

OS TABUS culturais, desinformação, desigualdades de género, pobreza e ineficiência no acesso a alguns serviços básicos são factores concorrentes para que milhares de raparigas e mulheres jovens não tenham suas necessidades menstruais atendidas.

Estudos mostram que em Moçambique uma em cada 10 mulheres não tem acesso ao kit menstrual, recorrendo, ainda, à métodos e meios pouco apropriados para fazer a gestão do seu ciclo.

Milhares de mulheres sofrem pelo menos uma privação de higiene em estabelecimentos de ensino, por exemplo, como acesso à água e produtos de higiene, além de estarem pouco informadas sobre as transformações do seu corpo, na fase da maturidade.

O fraco esclarecimento, aliado a preconceitos e carências gera constrangimentos e até motivo de bullying, fazendo com que muitas meninas sejam excluídas de diversas actividades quotidianas.

Para promover a saúde e bem-estar de quem menstrua e dar oportunidade para que haja espaços colectivos sem restrições, a Associação Moçambicana para o Desenvolvimento da Família (AMODEFA) e outras entidades promovem a dignidade menstrual, uma componente integrada na saúde sexual e reprodutiva, nas comunidades.

A ideia é ir além do acesso aos absorventes, mas permitir, igualmente, que as adolescentes e todas mulheres tenham água limpa e saneamento, com condições seguras e adequadas de higiene

Pretende, ainda, consciencializá-las sobre a naturalidade das transformações do organismo, abordar assuntos relacionados  com a saúde, equidade de género, justiça social e empoderar as raparigas, criando um ambiente onde possam sentir-se respeitadas durante o período menstrual.

Estas intenções foram partilhadas, há dias, em Maputo, no seminário subordinado ao tema “Mulheres de Impacto pelo Empoderamento, Dignidade Menstrual e Saúde Sexual Reprodutiva – Líderes que Cuidam”, onde foi, igualmente lançado o projecto “Uma Escola que Acolhe”, em fase piloto na capital do país, abrangendo cerca de 3000 raparigas. 

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