ETELVINA DOS SANTOS
OS TABUS culturais, desinformação, desigualdades de género, pobreza e ineficiência no acesso a alguns serviços básicos são factores concorrentes para que milhares de raparigas e mulheres jovens não tenham suas necessidades menstruais atendidas.
Estudos mostram que em Moçambique uma em cada 10 mulheres não tem acesso ao kit menstrual, recorrendo, ainda, à métodos e meios pouco apropriados para fazer a gestão do seu ciclo.
Milhares de mulheres sofrem pelo menos uma privação de higiene em estabelecimentos de ensino, por exemplo, como acesso à água e produtos de higiene, além de estarem pouco informadas sobre as transformações do seu corpo, na fase da maturidade.
O fraco esclarecimento, aliado a preconceitos e carências gera constrangimentos e até motivo de bullying, fazendo com que muitas meninas sejam excluídas de diversas actividades quotidianas.
Para promover a saúde e bem-estar de quem menstrua e dar oportunidade para que haja espaços colectivos sem restrições, a Associação Moçambicana para o Desenvolvimento da Família (AMODEFA) e outras entidades promovem a dignidade menstrual, uma componente integrada na saúde sexual e reprodutiva, nas comunidades.
A ideia é ir além do acesso aos absorventes, mas permitir, igualmente, que as adolescentes e todas mulheres tenham água limpa e saneamento, com condições seguras e adequadas de higiene
Pretende, ainda, consciencializá-las sobre a naturalidade das transformações do organismo, abordar assuntos relacionados com a saúde, equidade de género, justiça social e empoderar as raparigas, criando um ambiente onde possam sentir-se respeitadas durante o período menstrual.
Estas intenções foram partilhadas, há dias, em Maputo, no seminário subordinado ao tema “Mulheres de Impacto pelo Empoderamento, Dignidade Menstrual e Saúde Sexual Reprodutiva – Líderes que Cuidam”, onde foi, igualmente lançado o projecto “Uma Escola que Acolhe”, em fase piloto na capital do país, abrangendo cerca de 3000 raparigas.






