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Sexta-feira, 20 - Maio, 2022

Comissão dos Direitos Humanos visita jornalista detido em Cabo Delgado

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A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados de Moçambique (CDHOAM) manteve, recentemente, um encontro com o jornalista Amad Abubacar, que se encontra preso desde o passado dia 5 de Janeiro do ano em curso, na província de Cabo Delgado.

No encontro havido no estabelecimento penitenciário de Mieze, a Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados de Moçambique, chefiada pelo respectivo presidente, Ricardo Moresse, ficou a saber que Abubacar, quando da sua detenção, foi submetido a torturas por militares, após ter sido capturado pela Polícia da República de Moçambique (PRM).

“Fui levado pela Polícia da República de Moçambique no dia 5 de Janeiro, depois entregaram-me aos militares, que por sua vez me deram cinco chicotadas, para além de ter dormido alguns dias algemado”, disse o Jornalista, citado num comunicado de imprensa da CDHOAM, recebido ontem pela AIM.

O comunicado adianta que, para além de ter sido torturado, Abubacar foi privado de se alimentar.

“Para proceder ao interrogatório, o Procurador Distrital teve que me comprar comida por que eu não aguentava falar, tremia de tanta fome”, afirmou o jornalista.

A CDHOAM garante que a saúde do acusado é estável, “embora sinta algumas dores de cabeça, febres e dor de coração, que, segundo ele, não se trata de algo grave, até por que já está a medicar”.

“Neste breve encontro, que contou com a presença do director daquele estabelecimento penitenciário, Amad Abubacar pediu que seu processo seja tramitado com maior urgência possível, dado que precisa de voltar para seu posto de trabalho, afinal, este é quadro do Instituto de Comunicação Social (ICS), onde trabalha há mais de 10 anos como Jornalista”, refere o comunicado.

Por sua vez, o presidente da CHOAM assegurou ao arguido que a Ordem dos Advogados de Moçambique continuará a acompanhar o processo.

Para além deste encontro, a CHOAM manteve uma outra reunião com o Procurador-chefe da Província de Cabo Delgado, Octávio Zilo.

“Dentre vários assuntos abordados, o destaque vai para a morte do empresário sul-africano, Andre Hanekon, bem como da detenção do jornalista Amad Abubacar”, revela a nota.

Em Pemba, a CHOAM deslocou-se também à delegação do ICS, onde lhe foi informado pelo respectivo delegado, Paulo Cazimoto, que o processo da detenção do Jornalista “é muito sensível”.

“Temos que deixar a justiça trabalhar. Deixar que o processo corra os seus trâmites legais sem nenhuma influência directa ou indirecta de qualquer órgão ou instituição”, disse Cazimoto.

Entretanto, Cazimoto confirmou a CHOAM que Abubacar é funcionário do ICS há 10 anos, sendo que, quando da sua detenção, este se encontrava fora de serviço.

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