O AUMENTO de doentes com patologias que exigem intervenções cirúrgicas, como cancro, diabetes, miomas, cardiopatias e problemas ortopédicos, tem pressionado o sector da Saúde devido à insuficiência de material médico-cirúrgico e profissionais qualificados.
Como resultado, há sempre uma longa lista de espera com doentes de todo o país, sendo que o sector prioriza as intervenções urgentes, com risco de morte, seguidas das intervenções electivas, por forma a optimizar os recursos disponíveis.
A situação foi agravada pelas manifestações pós-eleitorais, responsáveis pela onda de violência e bloqueio das vias, factores que dificultaram o acesso de médicos e doentes aos hospitais, o que obrigou as autoridades a adiar muitas intervenções cirúrgicas.
Este facto é evidenciado pelos dados partilhados pelo Ministério da Saúde (MISAU), que apontam para mais de mil doentes que aguardam por cirurgias há mais de seis meses. Estima-se que a maioria tenha visto o seu estado de saúde agravar-se, devido à falta reiterada de cuidados mínimos.
Para enfrentar esses desafios, o sector da Saúde decidiu apostar numa campanha massiva de cirurgias. Alguns pacientes, vindos de outras províncias e já beneficiados, poderão finalmente livrar-se da doença e regressar às suas zonas de origem.
O “Notícias” conversou com três doentes no Hospital Central de Maputo, que aguardavam há mais de quatro meses por cirurgia. Apesar de estarem satisfeitos com as datas marcadas, relataram o sofrimento e as dificuldades que enfrentaram durante o longo período de espera.


