LUCAS MUAGA
O ACTOR e encenador moçambicano Samuel Nhamatate teve uma infância intensa em Chidenguele, província de Gaza, e nos bairros da Malhangalene e Hulene “B”, em Maputo.
Foi, no entanto, no Bairro de Hulene “B” onde viveu os primeiros anos da sua vida com mais intensidade. Ali aprendeu vários jogos tradicionais/populares e lúdicos, como matacuzana, zoto e neca, parte deles em vias de extinção devido às tendências da era actual, dominada pelas novas tecnologias.
“Hoje é fácil encontrar crianças obesas nas escolas públicas e privadas porque comem, sentam e jogam sempre no celular”, disse, em conversa com o “Notícias”, mostrando-se preocupado com um cenário, que o classifica como problemático.
E assim se posiciona porque as telas de dispositivos como celular, computador e televisor podem criar danos na saúde dos menores. “Há mais crianças com problemas de vista”, referiu, lamentando, por exemplo, o facto de “hoje os nossos pais já não nos contarem histórias na fogueira”.
Lembra que quando criança dispunha de várias diversões colectivas caracterizadas por serem inclusivas e envolventes. “Na altura as crianças deficientes não se sentiam mal porque brincavam todas juntas e isso ajudava. Não crescemos com traumas porque ficávamos todos na rua pois não tínhamos videojogos nem celulares e tudo era oferecido pela natureza”, comentou.


