Director: Júlio Manjate

A PROVÍNCIA de Inhambane triplicou, nos últimos seis anos, a sua produção global, ao passar de 5.054.08 milhões de meticais, em 2009, para 14.143,03 milhões de meticais, em 2015.

Esta realização, contudo, continua aquém do necessário para suprir a carestia de vida de pouco mais de milhão e meio de habitantes desta região do sul do Save. Em 2009, o Instituto Nacional de Estatística anunciou que a pobreza em Inhambane recuou mais de 11 por cento ao descer de 80 para 57,9 por cento. Daniel Francisco Chapo, Governador da província, indicado há sensivelmente dois meses, depois de um périplo por todos distritos, afirma, em entrevista exclusiva ao “Notícias”, que para impulsionar a dinâmica do progresso socioeconómico em curso, énecessário apostar no agro-processamento, envolvendo todos actores sociais. Segundo disse, a par desta aposta, o desempenho de cada um dos cidadãos residentes na chamada “terra da boa gente” deve, por outro lado, estar virado para a produção de resultados. Nesta conversa, Daniel Chapo reconheceu que a actividade turística e a exploração das potencialidades da província (por exemplo a indústria extractiva) ainda não produzem o suficiente para satisfazer as necessidades da população e alertou para o facto de a vida nas zonas áridas e semiáridas ter de se adaptar à realidade do clima. “Como não é possível mudar o clima, nós teremos de nos adaptar a ele, porque de outra maneira éimpossível. O interior de Inhambane éárido ou semiárido, daí que teremos de fazer de tudo para viver nesta região, consoante as condições climatéricas existentes”, afirmou. Acompanhe, de seguida, a conversa:

Notícias (Not.): Senhor governador, acaba de realizar a sua primeira visita de trabalho a todos os distritos da província. Que constatações fez?

Daniel Chapo (DC): Primeiro, dizer que confirmámos aquilo que Vasco da Gama disse há mais de cinco séculos a respeito desta província. Pela maneira como fomos recebidos, no meu primeiro dia, e a recepção que encontrámos nos distritos, de facto, Inhambane continua “terra da boa gente”. Boa gente para confiar; boa terra para investir e terra de gente trabalhadora. Em relação àquilo que vimos, concluímos que Inhambane éuma província muito extensa e rica em recursos e potencialidades.Também éversátil porque tem diversos tipos de climas, áridos e semiáridos, no interior dos distritos do norte. No litoral, o clima é outro, daí que para a prática da agricultura énecessário ter em conta estas adversidades. Nós não vamos mudar o clima, énecessário que tudo seja orientado para adaptar a produção agrícola com a prática de culturas que se adaptem ao tipo de clima. Este éo grande desafio. Nos distritos de Mabote, Funhalouro e Panda vamos potenciar a produção da castanha de caju, criação de animais, sobretudo o gabo bovino. Aqui não vale a pena insistir nos cereais, principalmente o milho, porque definitivamente não épossível produzi-los. Fazendo um cruzamento entre os recursos e a actual dinâmica, épreciso trabalhar muito para baixar os indicadores de pobreza porque ainda são muito altos.

Not.: Chegou numa altura em que a seca atinge mais de 77 mil pessoas em algumas regiões da província.

DC: Mal “recebemos” a província, não parámos no gabinete. Deslocámo-nos aos distritos para aferirmos o nível das acções de mitigação em curso. No final, concluímos que afinal a situação não era assim tão grave. Efectivamente, existem algumas bolsas de fome, em consequência da fraca produção em algumas regiões. Por causa disso,as reservas alimentares foram-se esgotando,remetendo algumas pessoas aprocurar alternativas de sobrevivência. Mas épreciso vincar que a situação agora está controlada, mercê de um esforço abnegado do Governo e seus parceiros na assistência aos afectados e  do desenvolvimento das folhas de feijoeiro e outras culturas depois da queda da pouca chuva, ainda que mal distribuída. Mas nós temos um conceito sobre a insegurança alimentar. Para a maioria das pessoas, em Inhambane, quando falha a cultura de milho, já se desenha um cenário de fome. Énecessário desmistificar esta ideia, sensibilizando os camponeses para o facto de a produção agrícola não se resumir apenas à cultura de milho, mas abranger castanha de caju, criação de animais, entre outras variedades culturais. O milho é oalimento básico, sem dúvida, mas é preciso, paulatinamente, inculcar na nossa sociedade que existem outras culturas que devem merecer prioridade na produção agrícola.

NÃO BASTA APOSTAR APENAS NO TURISMO

Not.: Depois destas constatações, qual vai ser a sua principal aposta para impulsionar o progresso da província.

DC:Inhambane éuma província com referência internacional no que diz respeito ao Turismo, já que ao longo dos 700 quilómetros da costa pontificam empreendimentos turísticos de grande qualidade, para além dos recursos pesqueiros. Porém, esta actividade ainda não ésustentável, ou por outra, não está ainda a desenvolver a província porque, para mim, desenvolvimento deve-se reflectir no bolso das pessoas, melhor dito, no bem-estar das pessoas. Daí que a nossa grande aposta, obviamente, sem descurar o Turismo, que é, sem dúvida, a bandeira de Inhambane, será a maximização das infra-estruturas hidráulicas, no âmbito da implementação de uma agricultura comercial, aquilo que se chama agro-negỏcio. Temos de dar grande primazia àreabilitação dos regadios parados e a construção de alguns para aproveitarmos os poucos cursos de água para produzir comida. Aliado a isso, vamos apostar no agro-processamento. Estamos a idealizar a realização, ainda neste ano, de uma conferência de investidores, onde o pano de fundo será a “venda” de oportunidades de negócio na área de agro-processamento já que temos muitos recursos, como são os casos da fruta, mandioca, castanha de caju, laranja, manga, tangerina e madeira. Então, precisamos de explorar, no máximo, esta componente.

Not.: O abastecimento de água ainda é um desafio, tal como ouviu as populações a queixarem-se na sua primeira visita aos distritos. Como pensa suprir o défice de fornecimento de água nas vilas e aldeias?

DC: De facto ainda há muito clamor em torno da água potável. Quase metade da população de Inhambane ainda anda, no mínimo, cerca de dois quilómetros para obter água, quando o normal éter uma fonte para cerca de 500 pessoas num raio não superior a meio quilómetro. Passei por Nacala-Velha onde, igualmente, havia este dilema. Não vou transportar o modelo, mas sim a experiência que usámos lá para a resolução deste problema. Primeiro vamos actualizar o cadastro das fontes existentes, as operacionais e não operacionais; descobrir o tipo das avarias das fontes inoperacionais, enquanto se faz o levantamento dos técnicos formados como mecânicos de fontes de água que estão ocupados noutras actividades. Esses técnicos deverão formar novos comités de gestão de água e poderão intervir nas avarias porque, acredito eu, a reparação de algumas, se calhar, nem sequer custa mais de 50 meticais. Já descobri muitos técnicos a trabalhar nos Serviços Distritais de Planeamento e Infra-estruturas, bem como na Direcção Provincial das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos. Estes técnicos deverão ser reorientados para aquilo que éa sua formação e não serviços administrativos. Devem estar no campo e não nos gabinetes. Enquanto isto, vamos desenvolver projectos de construção de pequenos sistemas de abastecimento de água,no mínimo, em todas sedes distritais. Queremos lançar estudos geofísicos para descobrir lençol freático no distrito de Funhalouro para vermos se podemos mobilizar fundos para a construção de um pequeno sistema neste distrito. Em Inharrime, estão a terminar as obras de reabilitação e em Homoine há um grande esforço para a construção de um novo pequeno sistema. Portanto, já decorrem vários programas visando aproximar água aos consumidores. Agora, o que vamos fazer é consolidar as experiências, lançar novos desafios. O nosso principal desafio éque,atéfinais de 2019, todas as vilas distritais tenham pequenos sistemas de abastecimento de água.

EXIGIREMOS ÀS EMPRESAS RESPONSABILIDADE SOCIAL 

Not.: Como pensa que a indústria extractiva em Inhambane poderá contribuir para o desenvolvimento social?

DC: Inhambane tem uma vasta experiência na exploração de minerais ao ser a primeira província a descobrir e explorar o gás natural. O que vamos fazer nesta área éconcentrar o nosso esforço na responsabilidade social das empresas do ramo. O que todos sabemos éque quem trabalha no gás natural em Inhambane éa SASOL. Mas,para nós,não ésó esta multinacional, pois por detrás desta empresa existem outros intervenientes que prestam serviços, daí que é nossa opinião que essas devem, igualmente, dar a sua contribuição, através da responsabilidade social. Conhecemos algumas empresas que trabalham com a SASOL e pensamos que vamos estabelecer um diálogo para compreenderem esta necessidade, como também vamos consolidar as relações que a província tem com a própria SASOL para que, com mais vigor, ela assuma as suas responsabilidades. Na conferência de investidores que dentro em breve vamos começar a preparar, vamos alargar o debate sobre a responsabilidade social de todas as empresas que trabalham na indústria extractiva, na província de Inhambane.

Not.: Que recursos humanos encontrou?

DC: Bons e com vontade de trabalhar. Encontrei uma equipa de Governo em reestruturação, mais de 50 por cento são novos, ainda têm muita energia para dar. Cada membro do Governo deverá libertar a sua iniciativa criadora para resolver os problemas da província. O nosso lema será em função de produzir resultados. Não somos de discursos ou justificações. Cada um deve justificar o cargo que ocupa, mostrando resultados do que está a fazer. O que dissemos à nossa chegada éque ninguém se deve acomodar porque ainda énovo. É preciso correr para conhecer a província e trabalhar porque épara isso que foi proposto para aquele lugar. Temosuma boa equipa de trabalho e estamos convencidos que vamos chegar longe.

QUEM É DANIEL CHAPO?

Daniel Francisco Chapo, de seu nome completo, nasceu a 6 de Janeiro de 1977 no distrito de Inhaminga, província de Sofala. Frequentou o Ensino Primário neste distrito e concluiu o Ensino Secundário na cidade da Beira. Depois de ter passado por Dondo. O pai éreformado da empresa Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) centro. Formado em Direito pela Universidade Eduardo Mondlane, Chapo frequentou, primeiro, o curso de conservador e notariado. Estagiou na Ordem dos Advogados. É professor de Direito Constitucional e Ciências Políticas. Não seguiu, definitivamente, o jornalismo porque, na altura em que trabalhou como locutor na Rádio Miramar, na cidade da Beira, ainda não havia, em Moçambique, o curso superior em jornalismo. Na conversa com o “Notícias”, Daniel Chapo admitiu que o jornalismo é a sua grande paixão. Apresentou noticiários na TV Miramar. Foi nomeado conservador em 2009, no distrito de Nacala, onde viria a ser indicado para o cargo de administrador distrital. Em finais de 2015 foi transferido para desempenhar as mesmas funções no distrito de Palma, na província de Cabo Delegado.

CONVERSAS AOS SÁBADOS

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Presidente: Bento Baloi

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