MAIS de 8100 migrantes foram socorridos semana passada na costa da Líbia e, só no sábado, foram resgatadas pelo menos 2400 pessoas, no canal da Sicília, de barcos à deriva sobrecarregados, procedentes de África. Apesar de todos os riscos, não cessa o fluxo no Mediterrâneo.
O tráfico de órgãos e de sangue é uma das grandes ameaças constantes que paira sobre os migrantes e refugiados africanos e asiáticos que tentam chegar à Europa, segundo a OIM.
A Organização Internacional para a Imigração (OIM), com base numa pesquisa por si realizada, refere que cerca de três quartos dos refugiados ouvidos disseram ter sido vítimas de exploração ao longo do seu caminho em direcção à Europa.
Segundo a agência das Nações Unidas, os entrevistados confirmaram que, no caminho à Europa, há quem ofereça dinheiro por sangue, órgãos ou partes do corpo.
Pelo menos seis por cento dos refugiados relataram, como vítimas ou testemunhas, que contrabandistas tiram sangue à força a pessoas mantidas em cativeiro e, noutros casos, órgãos servem como moeda de pagamento para os traficantes.
A Líbia e o Egipto foram os principais cenários de tráfico de sangue, seguidos do Sudão, Níger, Nigéria, Burkina Faso, Turquia e Uganda.
A pesquisa da OIM, que durou 10 meses e ouviu mais de nove mil imigrantes, visou quantificar a frequência do tráfico humano, trabalho forçado e tráfico de órgãos nas principais rotas da imigração.
“O que estas pesquisas mostram é que as redes de tráfico humano estão a tornar-se brutais e eficientes na exploração, lucrando com a vulnerabilidade dos migrantes”, concluiu Simona Moscarelli, especialista da OMI, em entrevista ao jornal “Guardian”. – VOA


