REPRESENTANTES de mais de 20 organizações da sociedade civil moçambicana manifestaram a sua preocupação face ao clima de medo e de insegurança que se está a instalar no país, causado por discursos violentos e de apelo à violência, divisão e divisionismo do território nacional.
Esta inquietação foi ontem apresentada ao Chefe do Estado, Filipe Jacinto Nyusi, num encontro realizado na Presidência da República, em Maputo, a pedido destas organizações que manifestaram prontidão e apoio ao Presidente da República (PR) em acções com vista à busca de paz, harmonia e tranquilidade em Moçambique.
É que, segundo aquele grupo, a instalação de discursos belicistas, de chantagem e de ameaça na sociedade moçambicana está a colocar em causa a paz conquistada há 20 anos, a democracia e inclusão e tolerância.
“O quadro político partidário do nosso país não pode voltar a ficar refém de um discurso violento e de apelo à violência. Esse apelo à divisão e ao divisionismo não corresponde aos anseios mais profundos do nosso povo. Somos todos de uma nação. Essa nação chama-se Moçambique. Somos todos de uma cultura: a cultura de quem se senta para chegar a consensos”, disse a sociedade civil numa declaração apresentada ao PR.
O encontro, que durou cerca de duas horas, contou com a participação de representantes da Fundação Para o Desenvolvimento da Comunidade, associações dos Escritores, Músicos, Desportistas, Centro de Integridade Pública e o Fórum Mulher. Participaram também membros das confissões religiosas, da Ordem dos Médicos, dos Engenheiros e dos Contabilistas e Auditores de Moçambique, empresários, deficientes, estudantes e idosos.
Falando a propósito, o escritor Mia Couto fez saber que a sociedade civil ali representada mostrou-se disposta a se juntar à busca do diálogo e procura de soluções que evitem que o país retorne a uma situação de guerra e mortes.
Por seu turno, Mário Sitoe, bastonário da Ordem dos Contabilistas e Auditores de Moçambique, entende que vários esforços estão sendo feitos para a busca de consensos e da paz no país. Apontou vários encontros de diálogo que o PR tem tido com diversas personalidades, incluindo representantes de partidos políticos parlamentares e extra-parlamentares, para além do diálogo que está a ser levado a cabo pela Frelimo e a Renamo no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano.
“Aparentemente, as armas calaram-se, mas o país não está tranquilo. Juntamo-nos nesse apelo para a paz e encorajar o Presidente a continuar nesses esforços. A nossa classe defende a integridade das contas públicas e empresariais, mas não há contas se não houver empresários que trabalham, se o país não estiver a produzir. Portanto, é isto que viemos dizer ao Presidente”, observou Mário Sitoe.
Entretanto, ficámos a saber que durante o encontro o PR quis ouvir mais sobre as preocupações dos participantes. Falou-se da questão das crianças, mulheres, pois a sociedade civil entende que “a paz não é só não ter guerra, ter paz significa também ter solução para os problemas de vulnerabilidade das pessoas mais necessitadas”.
“Em termos de medicina é preciso considerar três aspectos importantes: as infra-estruturas, o equipamento e os recursos humanos. Depois de contemplados estes recursos a saúde do povo vai estar assegurada qualitativa e quantitativamente. Significa que vamos tratar mais população, melhorar a saúde das pessoas para que possam trabalhar na agricultura, indústria, entre outros níveis”, considerou Inês Boaventura, vice-presidente da Ordem dos Médicos de Moçambique.
Na ocasião, o conselheiro do PR para os Assuntos Políticos e Comunicação Social, António Gaspar, disse que Filipe Nyusi agradeceu a mensagem e garantiu que vai continuar com o processo de paz porque na sua cabeça apenas existe a palavra paz, encorajando ainda os membros da sociedade civil a trabalharem com crianças e começar a incutir nos petizes o conceito de paz.


