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MUITAS vezes preferimos criticar do que elogiar, porque actos que merecem elogios escasseiam no nosso país. Ou, por outra, estaríamos a deitar poeira aos olhos dos concidadãos honestos e que tudo fazem para o bem do seu país. Claro que não estamos a dizer que não há esses actos na nossa pátria amada.

A nossa opinião pode ser oposta à de outros compatriotas, porém, acreditamos que, por razões óbvias, esses actos vão continuar a escassear.

Lançamos críticas sem preconceito, neste caso construtivas, na perspectiva de também nos juntarmos aos esforços tendentes a encontrar soluções para muitos problemas que afligem a sociedade moçambicana. Fazemos críticas que possam constituir exemplos ímpares, perfeitamente adequadas à realidade que se vive no país. Não fazer isso é excluir-se da responsabilidade de contribuir para essas soluções. 

E porque já referimos que existem esses actos, dizer que é satisfatório e prestigiante que o terminal de viaturas da estação central da empresa Caminhos-de-Ferro de Moçambique-Norte, na cidade de Nampula, disponha finalmente de um novo e primeiro sanitário público. Há muito que este era reclamado pelos munícipes e outros utentes idos de vários pontos do país.

O referido sanitário, que tem todas as condições necessárias para o seu funcionamento, como água, foi construído pelo Conselho Municipal da urbe, depois de, como está dito, tanta pressão exercida pelos residentes, não só sobre a actual presidência, como também sobre as passadas, preocupados com os problemas de saneamento do meio na cidade.

É que a sua ausência aparentemente reflectia pouca atenção à higiene e saúde pública por parte de quem de direito, o que levava a que sempre suscitasse um coro de críticas. O terminal, que é mais conhecido por paragem dos CFM, é um dos maiores e mais movimentados da cidade de Nampula, daí que a falta de um sanitário público fosse grande motivo para as paredes dos muros de vedação da estação ferroviária, as acácias e outro tipo de árvores existentes no local serem transformados em urinóis públicos.

O que acontecia naquele local era um autêntico atentado à saúde pública e à postura camarária. As pessoas tinham o hábito de urinar nas paredes e acácias. A situação tornava-se mais preocupante e vergonhosa quando se sabe que o terminal se localiza defronte da direcção executiva daquela empresa e respectiva casa protocolar, onde já se hospedaram e continuam a hospedar-se altos dirigentes governamentais da nação.

É um terminal que também fica nas proximidades de alguns bares e restaurantes, como é o caso do “Apeadeiro”, além de estabelecimentos comerciais dos mais frequentados da capital do norte.

Na realidade, não há tristeza na nossa vida que não possa ser compensada, cedo ou tarde. Isso para dizer que agora os transeuntes podem “aliviar as suas necessidades” fisiológicas num sanitário público em condições aceitáveis de higiene, já que a manutenção e limpeza estão sempre garantidas com a contribuição monetária de utentes, no valor de cinco meticais pelo seu uso.

Acabou a vergonha e o atentado ao pudor no terminal da estação dos Caminhos-de- Ferro Moçambique-Norte na cidade de Nampula. Os utentes têm razões para estar contentes com a existência do sanitário público naquele terminal, porque o local já não constitui foco de eclosão de doenças, como a cólera, malária e outras que surgem por falta de higiene e devido a outras práticas nocivas à saúde.

Mouzinho de Albuquerque

 

 

 

 

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