A MORTE de três menores pertencentes a igual número de famílias de Xipamanine e cujos corpos foram encontradas numa viatura parqueada num quintal do vizinho bairro de Chamanculo “D” continua a deixar incrédulos os parentes e moradores das duas áreas residenciais, que esgrimem várias leituras passíveis de explicar o sucedido.
Tomadas pela dor e inconsoláveis, algumas pessoas ouvidas pela nossa equipa de Reportagem negam a ideia de se ter tratado de asfixia, aventando a hipótese de uma mão estranha pois, adiantam, as crianças apresentavam sinais de escoriações no corpo.
Dá azo a este argumento que contraria a presumível causa de asfixia avançada pela Polícia o facto de os vidros da viatura em causa não terem ficado totalmente fechadas, segundo um dos familiares.
“As crianças deste bairro não têm por hábito deslocar-se a Xipamanine para brincar, e o que me deixa mais preocupado é que na altura em que os corpos foram encontrados os vidros tinham uma pequena abertura que permitia a circulação de ar. Ademais, apresentavam feridas em várias zonas do corpo”, disse Humberto Muchine, pai de uma das vítimas.
Tudo aconteceu na manhã da passada sexta-feira, 13 de Maio, quando quatro crianças introduziram-se no interior da viatura abandonada num quintal de uma casa vizinha. Porém, as menores não terão alegadamente conseguido abrir a porta da mesma.
A descoberta deste insólito foi possível graças a uma outra menor, que ao princípio da tarde se deslocou à viatura, onde viu as suas amigas num estado que a chamou atenção. Tratou de comunicar aos mais velhos, na altura ocupados pelos seus afazeres e alheios à triste realidade.
Uma das crianças perdeu a vida no local e outras duas no Hospital Geral de Chamanculo, para onde foram transportadas em busca de socorro. Entre as finadas estava uma quarta menor, que graças à assistência atempada está fora de perigo.
O quintal da casa em causa é partilhado por três famílias e na altura em que as raparigas ficaram presas na viatura ninguém lá se encontrava.
Entretanto, fonte do Comando da PRM na cidade de Maputo cita dados preliminares da Medicina Legal que confirmam que as três menores terão morrido por asfixia. Contudo, as autoridades aguardam a realização de exames conclusivos.
Segundo soubemos no local da tragédia, a viatura na qual se encontravam as crianças está abandonada no quintal há muito tempo, depois da morte do respectivo proprietário, que era um homem de negócios.
Para além da “viatura da tragédia”, um turismo, existe no mesmo espaço uma carrinha que era usada pelo malogrado para transportar as suas mercadorias de Inhambane para a cidade de Maputo.
As duas viaturas passaram a ser um atractivo para crianças da zona e não só. Mas, estranhamente, no fatídico dia 13 de Maio as mulheres que normalmente vendem os seus produtos junto ao muro da casa não deram conta do movimento dos menores.
Os menores foram ontem a enterrar, no Cemitério de Michafutene, numa cerimónia bastante comovente, que contou com a participação de familiares, amigos e estruturas locais.
Para a realização do funeral os parentes das crianças contaram com o apoio do Conselho Municipal da Cidade de Maputo e das estruturas do bairro de Xipamanine.


