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O PRESIDENTE da República, Filipe Nyusi, saúda a decisão de Afonso Dhlakama, líder da Renamo, de nomear uma equipa constituída por três membros, que se irá  juntar a outra indicada pelo Governo para a retomada do diálogo político com vista ao restabelecimento da paz no país.

Falando em conferência de imprensa havida no sábado na cidade de Jinan, concedida a jornalistas moçambicanos que o acompanharam na visita de Estado de cinco dias à China, Nyusi disse que a nomeação da equipa da Renamo “é a notícia de que o povo moçambicano estava à espera”.

A tarefa das delegações do Governo e da Renamo é apenas preparar as condições para a reunião frente-a-frente entre os dois líderes. “Nós não queremos perder tempo com centenas de reuniões no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano”, disse o Presidente.

Com estas palavras, Nyusi referia-se ao “diálogo”, aparentemente interminável, entre o Governo e Renamo que vinha sendo realizado no CICJC, que começou em Abril de 2013 e se arrastou, sem produzir resultados, até Agosto de 2015, quando a Renamo decidiu, subitamente, abandonar o diálogo.

Mas Nyusi manifestou, no sábado, muito optimismo no encontro com Dhlakama, que está a criar muita expectativa entre os moçambicanos, afirmando que “vai acontecer e vai ser produtivo”.

Será no encontro entre os dois líderes que serão tomadas decisões vinculativas. As reuniões preparatórias “irão definir metas e responsabilizar aqueles que não as cumprirem”.

Nyusi observou que, apesar da nomeação da equipa preparatória, a Renamo continua a perpetrar ataques armados contra alvos civis nas estradas da região centro de Moçambique. “Fazer pressão através de ataques armados é uma táctica velha que não funciona”, acrescentou.

A resposta do Governo aos mais recentes ataques, disse Nyusi, foi “exortar as Forças de Defesa e de Segurança para que mantenham a calma e não responder a provocações, mas sim defender o povo e proteger as colunas nas estradas”.

As mesmas equipas deverão preparar um encontro entre o Chefe do Estado e o líder da Renamo. O estadista moçambicano advertiu, contudo, que isso não pode servir de pretexto para a realização de inúmeras e infrutíferas reuniões preparatórias.

No início de Março do corrente ano o Governo anunciou a constituição de uma equipa com a missão de preparar um encontro entre Nyusi e Dhlakama, tendo convidado a Renamo a fazer o mesmo. A referida equipa é constituida por Jacinto Veloso, membro do Conselho Nacional de Defesa e Segurança; Maria Benvinda Levi, conselheira do PR e Alves Muteque, funcionário da Presidência da República.

Porém, Dhlakama teimava em insistir numa série de pré-condições, entre as quais a presença de mediadores internacionais, incluindo a Igreja Católica, a União Europeia e o Presidente sul-africano, Jacob Zuma.

O Executivo, contudo, vincou que não havia necessidade da presença de mediadores estrangeiros num diferendo que apenas envolve moçambicanos. Na semana passada Dhlakama decidiu finalmente retirar as pré-condições, anunciando uma equipa composta por três deputados da Renamo, nomeadamente José Manteigas, Eduardo Namburete e André Magibire.

PAUL FAUVET, da AIM

DEPUTADOS ELOGIAM ABERTURA AO DIÁLOGO

DEPUTADOS da Assembleia da República pela bancada da Frelimo, na província do Niassa, saúdam a abertura do líder da Renamo, Afonso Dhlakama, de indicar elementos do seu partido para integrarem a comissão mista encarregue de preparar o reatamento do diálogo ao mais alto nível.

Os deputados afirmam que a decisão relança a esperança de regresso a uma paz efectiva

em Moçambique.

Carvalho Muária, que falava em conferência de imprensa no fim das jornadas parlamentares no Niassa, disse que a Renamo deve cessar os ataques.
“Nós saudamos esta postura do líder da Renamo e gostaríamos que a partir de agora que aceitou indicar os seus quadros para se juntarem aos quadros indicados pelo Presidente da República ordenasse, logo de imediato também, o cessar dos ataques. Isso seria muito mais bonito, porque os moçambicanos, em princípio, não deviam ser inimigos: Adversários políticos sim, podemos ser, mas não inimigos” , frisou Carvalho Muária.

Refira-se que a Renamo anunciou semana passada os nomes dos três membros que vão fazer parte da comissão conjunta com a equipa indicada há cerca de dois meses pela Presidência da República para preparar o reatamento do diálogo com o Governo.

Trata-se de José Manteigas, Eduardo Namburete e André Joaquim Magibire, todos deputados da Assembleia da República.

Na ocasião justificou que a indicação dos nomes deriva do facto de o ofício do Chefe do Estado apresentar evolução, ao esclarecer que este grupo vai preparar os pontos de agenda, procedimentos e termos de referência.

“Consideramos que há mínimas condições para que essa indicação seja feita, pois o ofício de 17 de Maio do Gabinete da Presidência da República apresenta uma pequena evolução, ao deixar claro que o grupo vai preparar os pontos para o diálogo, harmonizando os procedimentos e termos de referência”, declarou António Muchanga, porta-voz da organização, falando em conferência de imprensa.

A posição da Renamo surge em resposta à nova solicitação feita terça-feira passada pelo Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, no sentido de este partido apontar quadros para se juntarem à contraparte já indicada para a constituição de uma comissão mista ou conjunta de preparação dos termos de referência para a retomada do diálogo entre as partes.

Do lado do Governo, Filipe Nyusi já tinha designado em Março último Jacinto Veloso, membro do Conselho Nacional de Defesa e Segurança, Maria Benvinda Levi, conselheira do Presidente da República, e Alves Muteque, quadro da Presidência, para a preparação do encontro com o líder da Renamo.

As negociações entre o Governo e a Renamo, o maior partido da oposição no país, estão paralisadas há vários meses, depois de esta formação política se ter retirado do processo, alegando falta de progressos e de seriedade por parte do Executivo.

Pouco tempo depois anunciou que iria tomar o poder pela força nas províncias onde obteve a maioria nas eleições gerais de 2014.

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