Segunda-feira, 24 Junho, 2024
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Juventude exige mais espaço no cenário político

Por Juma Capela
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OS jovens exigem maior representatividade nos órgãos de tomada de decisão para ampliarem a sua participação política e governativa.

Este aspecto foi, mais uma vez, levantado num debate sobre o contributo da juventude na definição e promoção de acções que reforcem o seu papel na justiça eleitoral e democracia.

Na ocasião, o presidente da União Nacional de Estudantes (UNE), Gimésio Cândido, disse que os jovens precisam de ter um papel mais activo no cenário político  moçambicano, passando a assumir funções que vão além de meros eleitores e força de apoio aos líderes seniores dos partidos políticos e órgãos do Estado.

“Os jovens estão cada vez mais excluídos do processo de tomada de decisão no país. A representação dos jovens na Assembleia da República tem vindo a baixar de declínio. Por exemplo, nesta legislatura temos apenas 17 jovens, portanto, menos de 7% dos deputados têm abaixo de 35 anos. O mesmo cenário repete-se nas assembleias provinciais, em que em todo o país temos apenas 8% de jovens. Temos de passar de eleitores para eleitos”, destacou.

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Por ser turno, o secretário-geral da Organização da Juventude Moçambicana (OJM), Silva Livone, referiu que para a juventude ser mais participativa nos processos políticos é necessário haver mais interesse pela agenda do país e clareza ideológica e informação dentro das organizações sócio-partidárias e de outros géneros.

“Devemos procurar perceber qual é a agenda dos agentes políticos no país. Muitos partidos, quando vão ao encontro dos jovens, não vendem o lado ideológico, preferem privilegiar a mobilização e promessas de cargos em vários órgãos como os de membros de assembleias municipais. Muitos são mobilizados sem entenderem a essência ideológica da formação política que os chama”, explicou.

Disse ainda que muitos jovens se excluem do seu papel na participação dos vários processos, com destaque para as eleições e depois contestam.

Enquanto isso, Ivan Mazanga, presidente da Liga da Juventude da Renamo, defendeu que o elemento que condiciona a participação política dos jovens em Moçambique é a fraca adesão aos projectos dos partidos políticos, estes que são espaços de preparação para o acesso aos órgãos de poder.

“Para se chegar ao Parlamento deve-se sempre usar a plataforma dos partidos políticos. Se quisermos ver os jovens em posições de poder, devemos voltar às raízes de tudo. A configuração do nosso Estado exige que a participação da juventude em órgãos de poder do Estado seja via partidária. Muitas vezes, a luta pela representatividade começa dentro das próprias formações políticas”, frisou.

Por sua vez, o presidente da Liga da Juventude do MDM, Renato Muelega, referiu que o entrave para a evolução da participação da juventude nos processos políticos do país reside na dificuldade de definição de uma agenda concreta de governação.

“Como Estado, devemos todos estar claros sobre as nossas perspectivas e objectivos das próximas décadas. A ausência desta agenda faz com que a juventude não encontre caminhos e mecanismos para entregar a sua energia. Os jovens devem aderir aos partidos pela identificação, não por necessidades ou obrigações”, sublinhou.

Este evento foi organizado pelo Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD) e Academia Democrática da Juventude (ADJ).

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