O VAPOR aparentemente inofensivo do cigarro electrónico pode esconder sérios riscos para a saúde de centenas de adolescentes e jovens, que aderem aos famosos “vapes”, na região metropolitana do grande Maputo.
Diferente do cigarro convencional, o electrónico é um dispositivo alimentado por uma bateria ou pilha que simula a experiência de fumar. No entanto, apesar da aparência moderna, e muitas vezes discreta, os dispositivos libertam substâncias nocivas como nicotina, solventes, glicerina vegetal, acrolina, benzeno e outros compostos químicos, utilizados para produzir os sabores e aromas.
No país, o consumo do cigarro electrónico tem vindo a crescer, sobretudo entre os adolescentes. Em alguns casos, ocorre mesmo no recinto escolar, o que levanta preocupações sobre o controlo do consumo deste e de outras substâncias psicoactivas.

Popularmente conhecidos como “vapes”, os cigarros são frequentemente vistos pelos jovens como uma alternativa menos prejudicial ao cigarro tradicional.
Em algumas escolas da cidade de Maputo, por exemplo, há relatos de estudantes que utilizam estes dispositivos dentro e nos arredores dos estabelecimentos de ensino.
Lara Salvador, adolescente de 15 anos e estudante do ensino secundário, relata que alguns colegas utilizam estes dispositivos durante os intervalos, acreditando serem inofensivos por se apresentarem sem o cheiro intenso do cigarro convencional.
Um outro adolescente de 17 anos, estudante da Escola Secundária Francisco Manyanga, consumidor destes cigarros, afirma que o acesso é relativamente fácil.
“Vendem nos supermercados, compramos também via redes sociais, havendo muitas pessoas a revender. Na minha escola nunca houve proibição de consumo. Além disso, é difícil identificá-los, pois alguns parecem-se a uma caneta”, disse.
O adolescente acrescenta que o principal atractivo foi o aroma e produção de vapor. Sobre a venda a menores de idade, afirma que nos supermercados geralmente não pedem ou questionam a maioridade dos compradores.
Apesar do crescimento do fenómeno, Moçambique não dispõe de uma lei específica que regule o uso de cigarros electrónicos, o que pode contribuir para a elevada disseminação entre menores de idade.
Chudy Celina, médica de clínica-geral, alerta que, embora sejam promovidos como sendo menos nocivos, os cigarros electrónicos contêm nicotina e outras substâncias que podem causar dependência e afectar o desenvolvimento dos adolescentes.
Outrossim, estes dispositivos causam problemas como a inflamação nos pulmões, doenças cardiovasculares e respiratórias, incluindo a broncopneumonia e bronquiolite obliterante, lesão pulmonar, para além de aumentar o risco de desenvolver cancros.
Perante este cenário, a médica defende a necessidade urgente de campanhas de sensibilização nas escolas e a criação de um quadro legal sobre a comercialização destes produtos.



