CELEBRA-SE hoje o Dia Mundial do Teatro, efeméride que visa promover a arte dramática e sensibilizar governos e outras instituições para o valor cultural desta manifestação artística.
Iniciada em 1961 pelo Instituto Internacional de Teatro (ITI), da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, o 27 de Março teve a primeira mensagem escrita por Jean Cocteau, em 1962. Esta tradição mantém-se, tanto é que todos os anos o ITI convida uma personalidade de relevo mundial para o efeito.
Neste sentido, a mensagem deste ano foi assinada pelo actor norte-americano Willem Dafoe, que destaca esta arte como alternativa de meditação num mundo marcado pela fragmentação social e pelo impacto das novas tecnologias.
A missiva tem como título: Uma cultura de paz. Será, como manda a tradição, lida em teatros de todo o mundo, incluindo Moçambique, conforme tem feito a Associação Moçambicana de Teatro.
Uma das actividades que marcarão a efeméride no país é a terceira edição do Festival Municipal de Monólogos no Ntsindya – Centro Cultural Municipal. Implementado pelo Conselho Municipal da Cidade de Maputo, o festival tem como objectivo promover o teatro e os seus fazedores da capital do país, servindo de plataforma para a divulgação de talentos.
Trata-se de um projecto de cariz competitivo, com premiações monetárias para os três primeiros classificados. Tem como júri a actriz e encenadora Lucrécia Paco, o actor e docente universitário Félix Bruno e a produtora cultural Rita Couto.
Outra actividade a decorrer na Casa Provincial da Cultura de Sofala, na Beira, é uma conversa sobre o percurso do teatro na urbe, seus desafios e perspectivas futuras. A reflexão tem como tema: A vida do teatro na Beira: da génese à actualidade, perspectivando o futuro, tendo como intervenientes os actores Apingar Garcia, Lúcio Chiteve e Calene Costumes, sob a moderação de José Raimundo.
No mesmo diapasão, o Instituto Guimarães Rosa apresenta o espectáculo “Comédias da Vida Privada”, estreado na segunda-feira e que se caracteriza por uma abordagem sobre os dilemas, absurdos e surpresas das relações humanas.
O público infanto-juvenil não fica de fora. Amanhã, o grupo teatral Os Anónimos apresenta “As Aventuras do Paito e da Tininha”, inspirada no livro “As Sementes do Céu”, de Mia Couto.
De acordo com a sinopse, Paito e Tininha vivem várias aventuras e num dia especial partilham com o público uma história que fala sobre a relação entre avós e netos, o cuidado com a natureza e a importância de proteger o ambiente. Entre risos e ideias criativas, as crianças acompanham os protagonistas, participam na narrativa e descobrem, de forma divertida, licções sobre preservação e respeito pelos saberes dos mais velhos.

Homenagem a Evaristo Abreu
AINDA por ocasião do Dia Mundial do Teatro, a Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo Mondlane (ECA-UEM) realiza hoje o colóquio “O legado da geração de Junho para o teatro moçambicano: Um Olhar Sobre a Obra Teatral e o Percurso Académico de Evaristo Abreu”.
O colóquio será moderado pelo actor e encenador Venâncio Calisto e terá como oradores Félix Mambucho, Victor Gonçalves, Lucrécia Paco e Dadivo José. Esta é uma forma de prestar um tributo ao actor e encenador Evaristo Abreu, que faleceu a 23 de Setembro de 2025.
Natural de Maputo, Abreu foi uma das figuras mais influentes nas artes cénicas e na educação artística, sobretudo teatral, no país. Licenciado em Sociologia pela Universidade Eduardo Mondlane e mestre em Artes Dramáticas pela Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo, iniciou a carreira teatral em 1985, actuando em grupos como Tejoco, Txova Xita Duma e Mutumbela Gogo.
Em 1989 fundou o grupo M’bêu, e entre 1998 e 2005 coordenou o Festival Internacional de Teatro D’Agosto. Leccionava Encenação e Teatro Aplicado na ECA-UEM.
Fotos: Arquivo










