Sexta-feira, 24 Maio, 2024
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CONFLITO ISRAELO-PALESTINO: Origem e evolução

Por admin-sn
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REDACÇÃO INTERNACIONAL, COM SWISSINFO

A COMUNIDADE internacional propõe há décadas uma solução que permita aos israelitas e palestinos viverem em dois Estados separados, um projecto que volta à mesa apesar da oposição do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

DE ONDE VEM A IDEIA?  

O conceito de dois Estados surge na década de 1930, apoiado pelos judeus que se estabeleceram na Palestina, então sob mandato britânico.

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O plano de partilha da Palestina, aprovado pela Resolução 181 das Nações Unidas (ONU), que resultou na criação de Israel em 1948, é baseado nessa ideia.

Tanto o plano, quanto a criação do novo Estado foram rejeitados pelos palestinos e pelos países árabes, desencadeando a Guerra Árabe-Israelita de 1948-1949.

Israel venceu a guerra e saiu fortalecido do conflito, e o Estado palestino desapareceu  antes mesmo de existir.

Em 1964 surgiu a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), com o objectivo de liberar todo o território.

Entretanto, a guerra contra os países árabes de 1967 permitiu a Israel controlar os Territórios Palestinos na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental e Gaza.

De acordo com o direito internacional, esses são territórios ocupados por Israel. Os assentamentos também são considerados ilegais nessas áreas.

POR QUE FRACASSARAM OS ACORDOS DE OSLO?

Em 1993 surgiram os primeiros sinais de esperança. A 13 de Setembro daquele ano, o líder da OLP, Yasser Arafat, e o primeiro-ministro israelita, Yitzhak Rabin, apertaram-se as mãos na Casa Branca, diante do então presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Bill Clinton. 

A aproximação bilateral levou aos Acordos de Paz de Oslo. O pacto propunha uma autonomia palestina limitada com o objectivo de que ambos os povos possam conviver pacificamente.

Os acordos enfureceram radicais de ambos os lados, culminando com o assassinato de Rabin em 1995, abrindo caminho para décadas de violência. 

Foi necessário esperar até 2013 para que o projecto retornasse à mesa, impulsionado por novas negociações.

Mas desde então, “não houve nenhum esforço para torná-lo politicamente viável”, afirma Xavier Guignard, do grupo de reflexão Noria Research, com sede em Paris.

O QUE PENSAM OS LÍDERES?

A Autoridade Palestiniana (AP), sediada na Cisjordânia ocupada, apoia uma solução de dois Estados.

O seu presidente, Mahmud Abbas, pediu a organização de uma conferência internacional em Setembro de 2023. É “a última oportunidade para salvar a solução de dois Estados”, enfatizou.

Na Faixa de Gaza, o movimento islamista Hamas, que governa o território desde 2007, aceitou, em 2017, o princípio de um Estado palestino.

Mas seu principal objectivo ainda é a “libertação” de todo o território da Palestina, como era em 1948, o que equivale a todo o actual Estado de Israel.

Contudo, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, rejeita a criação de dois Estados desde o início da sua carreira política.

O QUE DIZ A OPINIÃO PÚBLICA?

A solução de dois Estados já não goza da mesma popularidade de antes, segundo pesquisas.

Em 2023, 32 por cento dos judeus israelitas apoiavam o projecto, em comparação com 46 por cento em 2013, segundo um estudo do Instituto Pew Research realizado antes do início da guerra, a 7 de Outubro.

O mesmo ocorreu em Gaza e na Cisjordânia. De acordo com o Instituto Gallup, 59 por cento da população apoiava uma solução de dois Estados nesses dois territórios palestinos em 2012. Em 2023 eram apenas 24 por cento.

Alguns palestinos defendem a criação de um único Estado com direitos iguais para todos, mas a sua proposta teve pouco impacto.

QUAL É O PAPEL DA DIPLOMACIA?

Tanto políticos norte-americanos e europeus, assim como a ONU e até mesmo a China trouxeram de volta o projecto à mesa.

“A recusa em aceitar uma solução de dois Estados para israelitas palestinos e a negação do direito do povo palestino a ter um Estado são inaceitáveis”, segundo o secretário-geral da ONU, António Guterres.

Por sua vez, o Presidente dos EUA, Joe Biden, indicou que havia “vários tipos de soluções de dois Estados” possíveis.

NR: Pode ler o texto original em: 

https://www.swissinfo.ch/por/origem-e-evolu%C3%A7%C3%A3o-da-solu%C3%A7%C3%A3o-de-dois-estados-para-o-conflito-israelense-palestino/49149610

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