Segunda-feira, 24 Junho, 2024
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VENDEDORAS AMBULANTES: Percorrer quilómetros em busca da sobrevivência

Por admin-sn
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FARCELINA CUMBE

PERCORREM quilómetros, com carga à cabeça, cantando e gritando, em sinal de chamada aos clientes. Saindo de casa ao alvorecer, faça sol faça chuva, só retornam quando a escuridão ocupa o lugar da luz do dia. Vasculham as avenidas, ruas, praças e pracetas e até os becos dos bairros, em busca da sobrevivência. É assim que muitas vendedoras ambulantes ganham a vida um pouco por todo o país, multiplicando exemplos de coragem e determinação na luta pela vida.

A caminhada começa de madrugada, quando vão adquirir produtos para revendê-los nas romarias e passeatas de quilómetros pelos bairros da cidade e província de Maputo. Aos cânticos como “Aaaa makhofu halenu” (anunciando a venda de couve), procuram chamar a atenção de quem precise. A canção repete-se quando se anuncia a venda de outro tipo de produto, podendo ser nhangana, alface, cacana, entre outros.

Nem o peso dos produtos e muito menos o desgaste da voz com os cânticos entoados a cada segundo as interrompe enquanto não conseguirem vender o mínimo porque da mais pequena venda dependem as refeições das suas famílias.

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O peso dos “xidjumbas” e cânticos incessantes aliam-se ao calor intenso de Dezembro, às chuvas de Fevereiro e ao frio de Julho, mas, ainda assim, não param porque se torna obrigatório assim ser, pois, caso de contrário, não haverá dinheiro para sustentar as famílias, às vezes nem mesmo para uma refeição.

©Félix Matsinhe

Enquanto umas calcorreiam bairros, há as que se posicionam em lugares fixos, desde mercados, ruas, terminais de transporte, etc., do nascer ao pôr do sol. O cenário é o mesmo, aos cânticos e em diálogos com clientes na tentativa de os convencer a comprarem.

São vários os quilómetros que estas mulheres percorrem e os decibéis de voz que emitem por dia, algumas no negócio há mais de 20 anos ininterruptos.

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Da madrugada ao fim do dia

A MAIORIA das vendedoras ambulantes começa a jornada de trabalho às 3.00 horas de madrugada e só regressa à casa por volta das 18/20 horas. É o caso de Emília Jonas, vendedora de argolas feitas de trigo pelas ruas do bairro 1.º de Maio, no município da Matola.

Dedica-se a esta actividade há seis anos, numa jornada que começa às 3.00 horas quando amassa dez quilogramas de trigo e prepara as argolas que frita até por volta das 7.00, quando inicia a caminhada pelas ruas até às 16.00 horas. A luta é dedicada aos quatro filhos, que se orgulha de sustentar mesmo perante dificuldades que amiúde aparecem.

São mais de dez os quilos colocados à cabeça todos os dias, faça sol, faça chuva, pois “ficar em casa não é solução, não…

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