A Gemfields, companhia mineira com sede em Londres, capital britânica, anunciou ontem que o leilão realizado semana passada, em Singapura, com rubis extraídos na mina do distrito de Montepuez, na província de Cabo Delgado, rendeu uma receita no valor de 50 milhões de dólares.

Das 90 parcelas de rubis disponíveis no leilão, 84 foram vendidas ao preço médio de 51,99 dólares por quilate. Este valor é inferior ao gerado no leilão anterior, realizado em Dezembro de 2018, que gerou uma receita de 55,3 milhões de dólares, a um preço médio de pouco mais de 84 dólares por quilate.

Segundo a AIM, este foi o décimo segundo leilão de rubis da Montepuez Ruby Mining Ltd (MRM), realizado desde Junho de 2014. No total, os leilões de rubis já geraram uma receita de 512,6 milhões de dólares.

Segundo Adrian Banks, director executivo de produtos e vendas da Gemfields, “cada um destes dólares é repatriado para a MRM em Moçambique, onde foi o maior contribuinte na província de Cabo Delgado, de 2014 a 2017”. Ele ressaltou que, “aproximadamente, 23 centavos de cada dólar da receita da MRM são pagos ao governo, na forma de royalties, de impostos sobre as empresas e de produção mineral”.

A Gemfields detém 75 por cento das acções da MRM. Os restantes 25 por cento pertencem à empresa moçambicana Mwiriti.

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O sector privado em Moçambique acredita que a Decisão Final do Investimento (FID, sigla em inglês) poderá catapultar uma maior circulação monetária e, por conseguinte, baixar o valor financeiro no mercado interno.

A acepção foi defendida pelo presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Agostinho Vuma, falando à imprensa, segunda-feira, após ter efectuado uma visita ao local que acolheu a Cimeira de Negócios EUA-África, que tem lugar de hoje, quarta-feira, até sexta-feira, em Maputo.

“Com a decisão final de investimento da Anadarko Moçambique pode ter maior  circulação de massa financeira e baixar o custo de dinheiro, porque o dinheiro estará no mercado”, disse Vuma, para quem a “apertada” política monetária do Banco de Moçambique (BM) não permite uma maior circulação de dinheiro no mercado.

Segundo Vuma, a medida do BM limita a participação do sector privado moçambicano na Lei de Oportunidades e Crescimento de África (AGOA, sigla em inglês), com as empresas mais organizadas e pujantes, financeiramente.

A AGOA foi aprovada em 2000, para uma gama de produtos que beneficiam o acesso preferencial ao mercado dos EUA.

Moçambique beneficia deste mecanismo de acesso ao mercado preferencial norte-americano, que entrou em vigor a 01 de Outubro de 2000. A 1ª fase do AGOA terminou a 30 de Setembro de 2008, tendo o governo norte-americano alargado para 2015 e, recentemente, estendido por mais 10 anos.

No entanto, Vuma afirma haver espaço para que os bancos e hotéis americanos se instalem em Moçambique.
“Ainda não existe nenhum hotel americano em Moçambique e há uma grande diversidade de negócios que no âmbito da lei de investimento em Moçambique pode dinamizar”, disse Vuma.
Sobre o fórum de negócios EUA-África, o presidente da CTA disse esperar que possa alavancar mais investimentos em África, sobretudo, em Moçambique, bem como a balança de exportações, que está em maior desvantagem para o país.

“A conferência passa a funcionar como uma bola de neve, que vai fazer rolar mais investimento para Moçambique”, referiu.

O evento, a decorrer até sexta-feira, conta com cerca de 1500 participantes, entre governantes, empresários nacionais e estrangeiros, instituições públicas e privadas, entre outros.
 

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A quarta edição do “Future Agro Challenge” (FAC2019), um projecto mundial do sector agro-alimentar que procura trazer soluções inovadoras para a segurança alimentar e nutricional em Moçambique, foi ontem lançada, em Maputo.

A sua operacionalização é feita através de uma competição que envolve empreendedores do sector agrário de todo o país.

O FAC2019 é organizado pela Mozambique Innovation Lab e AgriMag, respectivamente, plataformas de aceleração de projectos agrícolas e de promoção e ligação da cadeia de valor do agro-negócio, segundo a AIM.

A iniciativa é tida como principal competição global do agro-negócio focada na descoberta e aceleração de organizações inovadoras para toda a cadeia de valor do sector agrícola, desde a produção até ao consumo.

O projecto visa impulsionar a revolução agrícola, aumentando a interacção entre agricultores, agro-empreendedores, investidores, sector privado, governo e outras partes interessadas.
Especificamente, o FAC2019 pretende aumentar a consciencialização sobre os desafios da produtividade e sustentabilidade; construir sistemas de suporte para agro-empreendedores acelerarem o seu crescimento, através de inovações agrícolas; alavancar novas soluções naturais para a segurança alimentar de forma sustentável.

Os objectivos incluem ainda oferecer oportunidades de mercado e de crescimento e colaboração multi-sectorial aos empreendedores e visionários da área alimentar e contribuir com ideias que possam ajudar o governo na adopção de políticas que fomentem o desenvolvimento da agricultura e segurança alimentar em Moçambique.

A directora executiva do Moz Innovation Lab, Elena Vali, disse que a iniciativa surge por se ter constatado que o nível de inovação das empresas no sector agrário é bastante baixo, daí que se pretende reverter o cenário.

“É preciso perceber o contexto e olhar para as soluções, se calhar, de baixas tecnologias, mas que podem ser implementadas e replicadas ao nível nacional. É importante fazermos eventos para dar visibilidade ao sector do agro-negócio, mas é muito mais importante trabalharmos com as empresas após os eventos, para serem mais competitivas e conseguirem demonstrar o seu valor diante dos investidores e clientes”, diz.

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Personalidades políticas nacionais manifestam o seu optimismo com a assinatura da Decisão Final do Investimento (FID, sigla em inglês) do gás natural liquefeito (GNL) na área 1, na bacia do Rovuma, província de Cabo Delgado.

A assinatura da Decisão Final do Investimento teve lugar ontem, em Maputo, entre o governo e os parceiros da Área 1, liderados pela multinacional norte-americana Anadarko, um acto testemunhado pelo Presidente da República, Filipe Nyusi.

Falando à imprensa, a antiga primeira-ministra Luísa Diogo, disse que o desenvolvimento do país depende da entrega dos moçambicanos, apontando a Lei do Conteúdo Local como uma iniciativa que deve ser “encaminhada de forma inteligente e não confrontativa”.
Explicou que as contrapartes envolvidas no conteúdo local devem firmar parcerias que demostrem domínio e gestão eficaz dos sectores a serem lhes atribuído.

Diogo acrescentou que, num futuro breve, o sector de gás poderá beneficiar, igualmente, a outros sectores transversais da economia.

“Enquanto crescemos na área do gás, temos que crescer nas outras áreas com vantagens corporativas. Eu tenho muito optimismo em relação ao futuro do nosso país”, vincou.
Sobre a banca moçambicana, Diogo disse estar “em alerta”, porque, segundo suas palavras, “a banca é o primeiro ponto de entrada de recursos e também queremos tornar os recursos acessíveis aos moçambicanos”.

Já Tomaz Salomão, antigo secretário executivo da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), acredita que os resultados da FID irão fazer-se sentir a partir de 2024.
“Não há benefícios imediatos. Há benefícios a médio e longo prazos e, esses benefícios, a surgirem, são eles que permitirão o investimento em infra-estruturas, energia, estradas, telecomunicações e portos”, afirmou.

A educação, saúde, abastecimento de água são, igualmente, sectores que, segundo Salomão, poderão colher benefícios com a FID.

“Eu vejo isto como uma etapa inicial, um passo importante para um longo percurso a ser percorrido. O importante é sabermos gerir isto para que traga benefícios e não seja, e não funcione como o lado negativo de uma faca”, disse.

Explicou que um dos dois gumes de uma faca é benéfica e a outra é maliciosa, alertando a uma gestão criteriosa para evitar conflitos, futuramente.

“Queremos que estes projectos sejam implementados e contribuam para uma maior equidade, justiça social e menos desigualdades”, sublinhou.

O projecto prevê um investimento de 25 mil milhões de dólares americanos a serem financiados em 14 mil milhões de dólares por fundos bancários e em 11 mil milhões de dólares por capitais próprios dos accionistas da concessão.

O acordo de financiamento não pressupõe nenhuma garantia por parte do Estado moçambicano.
A Anadarko e seus parceiros descobriram, aproximadamente, 75 triliões de pés cúbicos (tcf) de gás natural recuperáveis na Área Offshore 1 e já estão trabalhando para desenvolver um dos maiores projectos de GNL do mundo.

O plano de desenvolvimento prevê duas linhas de liquefacção instaladas em terra e com capacidade anual de produção de 12 milhões de toneladas de gás natural líquido.
No âmbito do projecto está previsto o desenvolvimento de uma linha de abastecimento de gás doméstico.
Para viabilizar o projecto, o consórcio já assinou acordos de compra e venda com vários clientes da Ásia e Europa. 

Assim, foram seleccionadas a Yara International, para a construção de uma fábrica de fertilizantes; a Shell, para a fábrica de combustíveis líquidos; e também a Great Lakes Energy, para produção de energia em Nacala.

O projecto GNL Golfinho Atum emprega, actualmente, mais de dois mil compatriotas, dos quais 800 são naturais do distrito de Palma, em Cabo Delgado.

Estima-se que no total o projecto de GNL Golfinho Atum venha criar mais de cinco mil postos de trabalho directos e 45 mil empregos indirectos.

 

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O projecto de gás natural da Área 1 do Rovuma “suporta o maior investimento da história do Continente Africano” e com poder para “transformar Moçambique”, disse ontem a Secretária de Estado adjunta de Comércio dos EUA, Karen Kelley.

O investimento vai trazer “benefícios nunca vistos” para o país, referiu Kelley, num discurso de sintonia e proximidade com Moçambique.

A Secretária de Estado adjunta de Comércio da administração norte-americana falava em Maputo durante a cerimónia de anúncio da decisão final de investimento do consórcio de exploração de gás natural da Área 1 da bacia do Rovuma pela norte-americana Anadarko.

Uma outra petrolífera norte-americana, a ExxonMobil, lidera o outro consórcio de exploração das reservas de gás do Rovuma na Área 4, a par com a italiana Eni-consórcio, que este ano deverá anunciar também uma decisão final de investimento de dimensão semelhante.

Neste capítulo, hoje assinalado, EUA e Moçambique celebram “estreitas relações” traduzidas num projecto com benefícios para os dois países e que “abriu caminho para futuros investimentos” norte-americanos.

Karen Kelley referiu que "só a ajuda" não chega para desenvolver África, são necessárias trocas comerciais e apontou Moçambique como um dos parceiros de topo.

A secretária de Estado adjunta dos EUA participou ontem na cerimónia de anúncio da decisão final de investimento, realizada numa tenda gigante, em Maputo.

O espaço montado no campus da Universidade Eduardo Mondlane, equipado a rigor para receber dignitários convidados ao evento, aos quais  Karen Kelley se juntou, acolheu outras figuras internacionais que estão na capital do país para participar também na cimeira EUA-África, que decorre em Maputo, de hoje, quarta, até sexta-feira.

Foram os casos de chefes de Estado vizinhos de Moçambique, como o presidente do Zimbabwe, Emmerson Mnangagwa, e o rei Mswati III de Eswatini (antiga Suazilândia), que também assistiram ao anúncio do investimento.

Além da Anadarko, que lidera o consórcio com 26,5%, o grupo que explora a Área 1 é constituído pela japonesa Mitsui (20%) e a petrolífera estatal moçambicana ENH (15%), cabendo participações menores à indiana ONGC (10%), à sua participada Beas (10%), à Bharat Petro Resources (10%) e à tailandesa PTTEP (8,5%).

A Anadarko deve ceder a liderança do consórcio à francesa Total até final do ano, depois de ser comprada - processo ainda em curso - por outra petrolífera dos EUA, a Occidental, que por sua vez celebrou um acordo para venda dos activos em África.

O primeira decisão final de investimento para exploração de gás natural das gigantescas reservas da bacia do Rovuma, no norte de Moçambique, foi anunciada, há dois anos, pelo consórcio da Área 4, um projecto mais pequeno baseado numa plataforma flutuante, que deverá começar a operar em 2022.

A plataforma deverá produzir 3,4 milhões de toneladas por ano (mtpa) de gás natural liquefeito, enquanto a fábrica da Área 1, o investimento hoje anunciado, deve chegar aos 12,8 mtpa e o projecto a instalar na mesma península (Afungi, Palma) pela Área 4 (anúncio previsto ainda para este ano) deve rondar 15 mtpa.

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